O milho, por ser tradicionalmente uma cultura típica de pequenas lavouras e por ser cultivado em todo o País, apresenta grande versatilidade de uso dentro de uma propriedade. É utilizado tanto para alimentação humana como animal e de grande importância para a Agricultura Familiar.
Nos sistemas de produção das pequenas propriedades, as pesquisas na produção orgânica de milho estão em fase inicial e muito deve ser feito, principalmente de forma participativa, com troca de experiências entre pesquisadores, produtores e extensionistas. Entretanto, pode-se esperar, em pouco tempo, uma grande evolução de sua produção dentro de princípios agroecológicos, conforme pesquisas da Embrapa Milho e Sorgo. Esse avanço deve ocorrer em vários sentidos com destaque para os manejos do solo, da adubação, de plantas daninhas e de pragas.
Contudo, em relação ao manejo da produção orgânica de milho, um aspecto inicial a ser considerado, segundo a Embrapa, refere-se ao uso e à preservação da diversidade genética de milho, dentro das comunidades rurais, sendo que o uso de metodologia participativa torna-se relevante para o desenvolvimento de trabalhos com pequenos agricultores. Essa estratégia de ação tem sido utilizada em algumas comunidades brasileiras e indica variedades locais importantes nos processos adaptativos de germoplasmas de milho.
Retomando o primeiro item de destaque no sistema orgânico, o manejo do solo é a base do sucesso da lavoura. Para pesquisadores, é preciso que ele se encontre “sadio”, bem estruturado, fértil, com macro e micronutrientes disponíveis às plantas em quantidades equilibradas, com bom teor de matéria orgânica, água, ar, boa atividade biológica e bom suprimento de nutrientes, pois é o solo e não o adubo que deve nutrir a planta. Além disso, o solo deve estar sempre coberto para evitar erosão.
Além disso, pondera-se que a rotação/sucessão de culturas é uma prática importante para a manutenção da capacidade produtiva dos solos nos sistemas agrícolas, independente do manejo de solos. Ela é especialmente importante quando se trata das culturas de cereais e grãos, pois há grande diminuição na produtividade desses quando são feitos plantios anuais na mesma área. Assim, o envolvimento de culturas de cobertura em intervalos de tempo maiores é de extrema necessidade quando se buscam sistemas de produção sustentáveis.
Relacionado a esse aspecto, a adubação orgânica ocupa lugar de destaque. Aqui inclusa a adubação verde e o uso de esterco em complementação aos compostos orgânicos. Adubação verde ideal preconiza a consorciação entre leguminosas, gramíneas e as plantas nativas. As gramíneas são importantes produtoras de biomassa que, por fornecerem carbono, mantém e aumentam o teor de matéria orgânica. Favorecem a microbiota benéfica do solo, a reciclagem de nutrientes e a preservação do ecossistema. Já as leguminosas são importantes por fornecerem nitrogênio através do processo de fixação simbiótica das bactérias.
Para a cultura do milho, há relatos de experiências positivas com o uso da adubação verde exclusiva. Em um trabalho de pesquisa, a equipe do fitotecnista Israel Alexandre Pereira Filho evidencia, por exemplo, que a leucena proporcionou rendimento de grãos de milho de 5.373 quilograma por hectares na ausência de nitrogênio, enquanto que a produtividade máxima foi de 5.849 quilograma por hectares , obtida com 107 quilograma por hectares de nitrogênio na ausência de leucena. Foi verificado também o aumento dos teores de cálcio, magnésio, potássio e matéria orgânica na camada de zero a 20 centímetros do solo. Outro benefício registrado em pesquisas é a redução de 90% na biomassa de plantas daninhas no sistema milho e leucena em faixas.