Produtores contam experiências técnicas

Famílias apresentam sistemas de produção rentáveis durante Fórum Permanente do Leite

Emater RS
Manejo

O caso da família Rocha foi um dos quatro apresentados durante a reunião do Fórum Permanente do Leite, formado por um grupo de entidades com foco no fomento à produção leiteira, entre elas, a Emater/RS-Ascar. O evento foi realizado na sede da AABB, em Santa Rosa.

Para a família Rocha, do interior do município de Rolador, o rural ultrapassa o agrícola. É um modo de vida, sustentável, econômica, social e ambientalmente, que alia aparato técnico, manejo correto e família unida. Com uma área total de 30 hectares, sendo 15 hectares destinados à atividade leiteira, a família tem 40 animais em lactação, com produção média mensal de 30 mil litros de leite. O diferencial para se conseguir essa produtividade pode estar em uma técnica simples: a combinação de pastagens e ração na alimentação.

“Eu uso pasto e ração. Silagem até hoje eu não fiz e não pretendo fazer, porque exige muita mão de obra. Estou pensando em ampliar a área de tifton para poder fazer uma boa quantia de feno e até para vender a sobra e fazer uma renda extra. Hoje minha produção é de aproximadamente 1.000 litros de leite por dia”, comenta o produtor José Nelson da Rocha.

De acordo com o supervisor regional da Emater/RS-Ascar, Flávio Joel Fagonde, o sistema de produção da família é viável. “Mesmo com as poucas precipitações de chuva que tivemos nos últimos meses, podemos ver a abundância de pastos de inverno e, em cima da grama tifton, sobressemeaduras de aveia e azevém. Pastos perenes são essenciais para a produção de leite”, destaca Fagonde.

“Durante os 30 anos, a gente nunca teve a renda fixa razoável como agora. Dá para investir e sempre sobra um pouco de dinheiro para ajudar os filhos, melhorar plantel de vacas e se manter em um bom de viver e se divertir. Não precisamos mais fazer como antigamente, quando ficávamos esperando a chuva para colher um pouco de soja. O leite tem essa vantagem de ter a renda todo o mês. Não dá para dizer que é muito serviço. Dá para trabalhar e ainda ter tempo para passear”, revela Rocha.

A irrigação foi outra técnica adotada neste inverno, após o período crítico da estiagem. As perspectivas futuras são de ampliação de produtividade. Ela se tornou uma importante aliada na propriedade, que possui seis hectares de pastagem permanente tifton e nove destinados à pastagem anual de inverno e verão, que está em vias de mudança para o próximo verão.

Outro fator que mantém a viabilidade da propriedade são os cuidados ambientais. Em 15 dos 30 hectares, a natureza vislumbra em sua forma nativa, onde estão inseridas as outras categorias animais, como novilhas e vacas secas.

“Os sistemas de alimentação e de irrigação não levam apenas a um aumento da produtividade. Garantem diminuição da penosidade do trabalho e novas perspectivas de permanência no campo”, garante Fagonde.

Durante o fórum, também foi apresentada a realidade da família de Leandro e Arlete Reichert, de São José do Inhacorá, acompanhados pela Funcap. Com a análise do solo e estudo da necessidade de adubação na propriedade, os agricultores conseguiram manter a produção de pastagem mesmo no período de seca.

Já o engenheiro agrônomo Luís Otávio da Costa de Lima apresentou o sistema de produção de leite da CCGL, implantado na propriedade da família Bullmann, em Santo Cristo. A família resolveu investir na intensificação da produção leiteira, depois de frustrações de safras de soja. Em um ano, a família ampliou a produtividade média de 14 para 23 litros por vaca ao dia. Atualmente, em alguns meses chega a ultrapassar 30 litros por vaca/dia.

Pela Cooperlat, o produtor Joares Guellar apresentou formas de aliar a produção de leite com o controle ambiental, por meio de tratamento de dejetos e fertirrigação. Ainda, explanou sobre técnicas simples de produção de silagem, sem necessidade de grandes maquinários.