Produtores usam gás contra pragas da armazenagem

Gás fosfina é extremamente tóxico para os seres vivos, mas com uso adequado elimina em uma semana todos os insetos presentes nos silos

Juliana Royo
Sanidade Vegetal

Com o crescente problema de pragas na armazenagem de grãos, inclusive na soja, e a demanda por tecnologias limpas que não contaminem os alimentos, cada vez mais produtores estão utilizando o gás fosfina para controlar os insetos presentes nos silos.  O gás é muito eficiente, não deixa resíduo nos grãos, mas é extremamente tóxico e, se não for manuseado de forma adequada, pode causar a morte dos seres humanos e animais da fazenda. É preciso que os produtores estejam bastante atentos à forma de aplicação da fosfina, com uso de equipamentos protetores.

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Outro cuidado é em relação a concentração que o gás fosfina deve permanecer no silo de armazenagem para que o controle seja eficiente.  Existem várias marcas comerciais de fosfina e cada uma tem recomendações diferentes. Mas na média, segundo o pesquisador Irineu Lorini, da Embrapa Soja, o gás deve permanecer, no mínimo, por 5 dias no armazém a uma concentração de 400 ppm (partes por milhão). Medir a concentração e ter certeza de que a recomendação está sendo seguida adequadamente é fundamental para que o controle seja feito da forma correta e as pragas sejam eliminadas.

— Este gás é utilizado para o expurgo do grão, para eliminar qualquer praga que exista no armazenamento, tanto de grãos quanto de sementes. A fosfina é um biocida e é uma tecnologia limpa. Quando o produtor utiliza o gás ele está matando as pragas, eliminando o problema e não está contaminando o alimento. O gás é altamente tóxico, é um produto bastante perigoso que causa morte dos seres vivos de forma imediata, se entrar em contato com os animais ou os homens. Por isso, alertamos para que os produtores tratem o armazém como uma câmara de gás e se previnam tomando cuidados no manuseio do produto. É preciso usar equipamento adequado e ter profissionalismo na aplicação. Ele é altamente tóxico, mas tem uma facilidade de manuseio que a pessoa bem treinada vai utilizar ele seguramente, sem problemas — explica Lorini.

Um ponto fundamental para o sucesso da aplicação é que o silo esteja completamente vedado para que o gás não vaze. O ideal é que fossem usados armazém herméticos, mas eles não existem ainda no Brasil. Lorini conta que existe um projeto em andamento para a comercialização deste tipo de silo, o que vai ajudar muito na eficiência da técnica. Por enquanto, os produtores brasileiros devem usar lonas plásticas específicas para o expurgo para cobrir completamente o local da aplicação. O gás pode ser utilizado em qualquer época do ano, mas não deve ser aplicado em exagero.

—Quando o produtor detectar a presença de pragas no armazém ele deve lançar mão do uso do gás fosfina para fazer o expurgo. Não existe um período determinado em que o produtor deva fazer a reaplicação. Isso vai depender das medidas de prevenção de cada produtor. A fosfina não é um produto residual, então, ela não vai proteger os grãos de uma safra para outra. Ela só elimina as pragas que estão presentes naquele momento. Na prática, o uso da fosfina pode acontecer uma vez por ano, que é o ideal, ou uma vez por mês, o que a gente acha exagerado. Nesse caso, o produtor precisa ter mais atenção com as medidas preventivas como higiene adequada dos silos — alerta.