Programa de incentivo à produção orgânica é lançado no RS

Marcela Buzatto, Emater/RS-Ascar
Agricultura Familiar

Mais de 700 mulheres do município de Constantina, Liberato Salzano, Engenho Velho, Novo Xingu, Rondinha e São José das Missões participaram na sexta-feira (20/02) do seminário de abertura do programa "Mulheres organizadas produzindo e comercializando alimento orgânico", realizado na sede da comunidade da Linha Savaris, interior de Constantina. O programa é uma iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Constantina, Coletivo de Mulheres e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

O objetivo do programa é incentivar as mulheres agricultoras a produzir alimentos orgânicos como forma de geração de renda para suas famílias. "A produção orgânica de alimentos foi uma necessidade que percebemos. É grande a procura por esses produtos e a oferta é muito pequena. Nossa intenção é que as mulheres se mobilizem em grupos e iniciem a produção de alimentos orgânicos para comercialização", declarou a coordenadora do Coletivo de Mulheres de Constantina, Sirlei Lazzareti.

Com duração de 24 meses e abrangendo os seis municípios vizinhos, o programa prevê ações para capacitação das mulheres envolvidas. "O seminário foi o primeiro passo para reunir as mulheres interessadas em participar do programa. Estamos em busca de um espaço para dar sequência às ações de formação dessas mulheres", completou Sirlei. Segundo ela, as parcerias locais serão fundamentais para execução desse programa, em especial da Emater/RS-Ascar.

A programação do seminário iniciou com uma palestra sobre a importância dos bons hábitos alimentares para obter mais qualidade de vida, ministrada pelo padre Paulo Wendling. Autoridades locais e regionais participaram do encontro.

Segundo o prefeito de Constantina, Leomar José Behm, 98% das propriedades rurais do município estão inseridas na agricultura familiar. "Nós reconhecemos a importância da mulher na agricultura e temos grande respeito pela produção de alimentos. Estamos direcionando nossos esforços e investimentos buscando aumentar as possibilidades de comercialização dos alimentos produzidos nas pequenas propriedades", afirmou.

Para o gerente do escritório regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Francisco Frizzo, a adesão a este programa é um desafio, mas também um passo fundamental para produção de alimentos limpos e saudáveis. "Queremos ser sustentáveis em nossas ações, no trabalho com os agricultores familiares. A Emater/RS, como uma das principais executoras das políticas públicas do Estado, busca promover o desenvolvimento da região, através da geração de renda das famílias rurais e possibilitando maior qualidade de vida no campo. Esse projeto vem ao encontro das ações que a Emater/RS realiza com as famílias rurais, portanto, apoiamos essa grande iniciativa", afirmou Frizzo. O seminário contou ainda com a participação do presidente do STR, Olivar Lazzaretti, a coordenadora estadual da Fetraf-Sul, Cleonice Back, a presidente da Câmara de Vereadores, Cleuza Tomazelli, entre outras.

Após o almoço, as participantes do seminário assistiram a uma comédia teatral sobre hábitos alimentares, apresentada pelo grupo de São José das Missões. Na sequência, um painel sobre o papel da mulher na agricultura familiar e na produção do alimento orgânico foi apresentado pelo engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Gervásio Paulus e pela deputada federal e ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Para contextualizar a temática, Gervásio apresentou ao público alguns conceitos importantes que permeiam a produção sustentável e orgânica de alimentos. "Sustentabilidade é a maneira como nos relacionamos com o ambiente. A forma como se produzem os alimentos está diretamente ligada à qualidade de vida das famílias. A agricultura orgânica, agroecológica, pressupõe não apenas produzir sem veneno, mas parte da premissa de entender o rural como estilo de vida", explicou.

"O papel da mulher é importante para manutenção dos costumes e hábitos, além de seu comportamento de liderança nas comunidades e na própria família. A preocupação da mulher com a qualidade dos alimentos é uma característica natural", completou Maria do Rosário, ressaltando a necessidade de haver a união do trabalho das mulheres em prol do desenvolvimento sustentável da agricultura.

Há muitos anos a Emater/RS-Ascar desenvolve esse trabalho de incentivo à produção orgânica em todos os municípios de abrangência. Produção agroecológica, resgate de sementes crioulas e outras tantas atividades fazem parte das ações de segurança e soberania alimentar desenvolvidas com as famílias rurais. Em Liberato Salzano, por exemplo, a assistência técnica começa no incentivo à produção de alimentos orgânicos para subsistência das famílias rurais. Ações são desenvolvidas buscando desmistificar a prática da produção orgânica e fomentando a inserção dos agricultores nesse mercado.

Três famílias do interior do município já obtêm dos alimentos orgânicos a renda da família. Com uma produção totalmente orgânica, a comercialização ainda é feita de porta em porta. "Além de incentivar a produção para subsistência das famílias, nosso objetivo é fomentar a comercialização. Mercado existe, agora estamos buscando desenvolver uma feira permanente no município, para beneficiar os que já produzem e incentivar novos adeptos", comentou a extensionista da área social da Emater/RS-Ascar de Liberato Salzano, Luciene Duso.