Resultados gerados a partir da aplicação da tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging) e inventários florestais produzidos no âmbito do programa internacional Paisagens Sustentáveis foram os temas abordados durante workshop realizado na última semana em Campinas (SP), na Embrapa Monitoramento por Satélite. O evento reuniu cientistas de alto nível, de diversos países, que contribuíram também para o planejamento do projeto e a definição de novas propostas de pesquisas e aplicações sobre o tema.
O programa Paisagens Sustentáveis tem a missão de desenvolver capacidade técnica para medir e mitigar os efeitos do dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo efeito estufa baseada em geotecnologias como o LiDAR, um sistema laser aerotransportado que permite avaliar detalhadamente a área de estudo, fornecendo informações da superfície do terreno e também da estrutura da vegetação. A tecnologia possibilita a geração de informações essenciais em alta resolução, em especial na elaboração de Modelos Digitais de Elevação (MDE).
O projeto está desenvolvendo métodos para extrapolar medições locais de carbono e outros gases estufa provenientes de manejo florestal ao nível nacional a partir de modelos e técnicas inovadoras de contabilização de carbono estocado, contribuindo para a formulação do inventário nacional de emissões. Dados LiDAR aerotransportado vem sendo adquiridos para localidades nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.
A coordenação é do cientista do Serviço Florestal Americano Michael Keller, que atua como pesquisador visitante na Embrapa Monitoramento por Satélite dentro do programa de cooperação denominado Labex Invertido. O projeto de cooperação técnica é financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e o Departamento de Estado dos Estados Unidos com a participação de vários parceiros no Brasil, desde o Serviço Florestal Brasileiro, universidades, diferentes centros da Embrapa e instituições governamentais e não governamentais.
Os trabalhos apresentados durante o workshop abordaram o uso de dados LiDAR em temas como degradação florestal, metodologias para estimativa de biomassa, monitoramento da exploração madeireira, manejo florestal, perturbações naturais, efeitos da estiagem e do fogo, avaliação de impactos de incêndios florestais e indicadores de biodiversidade. Entre as instituições participantes estava a Agência Espacial Americana (NASA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), as universidades de New Hampshire e Michigan, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB), além da Embrapa Amazônia Oriental e Embrapa Acre.