Projeto avalia passiflora com propriedades para prevenir doenças

O Passitec é submetido ao comitê de ética, passa por testes sensoriais para aprovação do sabor e biológicos para atestar a funcionalidade das propriedades benéficas

Margareth Santos
Biotecnologia

Apresentar novos alimentos funcionais, ou seja, que trazem um benefício a mais para a saúde do consumidor, a partir da biodiversidade brasileira, é o objetivo da Rede Passitec, que está adaptando tecnologia para uso medicinal dos maracujás silvestres. De acordo com a doutora Ana Maria Costa, coordenadora do projeto, as propriedades atribuídas às passifloras pela sabedoria popular estão sendo estudadas e checadas em relação aos benefícios que efetivamente trazem à saúde das pessoas.

— Foram selecionadas quatro espécies de passiflora que apresentam maior potencial para produtos: passiflora A, com efeito de diminuir o estresse e melhorar a qualidade do sono; B, que tem o benefício de impedir tremores; C, com poder de regeneração celular; e a D, que ajuda a evitar obesidade e diabetes. Identificamos os materais, estamos fazendo avaliação química dos componentes e verificando se de fato possuem os princípios ativos que justifiquem o uso popular — relata.

 Banco de germo-
 plasma reúne
 várias espécies de
 maracujás nativos

Um rede de pesquisas, organizada e supervisionada pela Embrapa Cerrados, está desenvolvendo alimentos saborosos a partir desses maracujás, estudando seus benefícios para a saúde, criando a estrutura de comercialização e se preocupando em oferecer produtos seguros, além de proteger a natureza da devastão. A rede conta ainda com o apoio de diversas instituições, como universidades estaduais e federais e o Instituto do Coração (Incor). O projeto é submetido ao comitê de ética, a testes sensoriais com voluntários, para aprovação do sabor e, posteriormente, a testes biológicos para atestar a funcionalidade das propriedades benéficas.

— Vamos disponibilizar, nos próximos anos, variedades para o agricultor ter opções no sistema de cultivo, fornecer tecnologia para produção da cultura com sucesso e prover a indústria com os métodos de produtivos e de processamento das passifloras de forma a manterem as propriedades funcionais e, com isso, ofertar subprodutos para a sociedade brasileira se beneficiar dos efeitos positivos identificados na pesquisa — finaliza.
 

 Geléia de maracujá
 desenvolvida dentro

 da pesquisa

A pesquisadora Ana Maria lembra que os alimentos funcionais não são remédios e trazem uma série de recomendações de uso. Portanto, devem ser consumidos na quantidade certa, nem a mais e tampouco a menos, para que realmente traga os benefícios desejados. Em breve, quando a cadeia produtiva estiver completamente instaurada, esses alimentos estarão disponíveis no mercado nacional.