A Embrapa Pecuária Sul está avaliando animais de composições genéticas puras e cruzadas, no sentido de recomendar as raças que melhor se adequam aos diferentes ambientes de criação dos rebanhos nos pampas gaúchos. Segundo o pesquisador Fernando Cardoso, identificar esses animais significa melhorar a eficiência de produção e a qualidade do produto final.
Ainda em andamento, os ensaios contemplaram cruzamentos entre as raças angus, hereford, nelore e caracu, tanto via inseminação quanto através de monta. A diferente gama de genótipos, que compreende características do britânico genuíno até o zebuíno puro, permitiu avaliações abrangentes em termos de crescimento, resistência à verminose, a insetos e qualidade da carcaça no abate.
— Já estamos com as amostras coletadas para estudar as características da carne quanto à maciez, coloração e gordura. As fêmeas serão observadas acerca do desempenho materno — revela.
Em busca de uma visão global de desempenho, o delineamento metodológico contempla a interação entre a genética e o ambiente produtivo. A grande complexidade do projeto Bifequali envolve procedimentos desde medidas de crescimento, biométricas até espessura de gordura de cobertura.
Mesmo antes de terminar a apuração dos dados necessários, o pesquisador afirma que, de modo geral, os animais cruzados resistem melhor aos ambientes restritivos. As vacas angus desmamam bezerros mais pesados, enquanto o gado com sangue hereford cresce mais após a desmama. Com relação à alternativa de usar uma raça europeia em substituição aos zebuínos, o caracu apresentou bons resultados de adaptação.