O projeto Caatinga Viva (Difusão de Tecnologias de Adensamento Ligno-Celulósico como Fonte Energética Alternativa Visando a Recuperação de Áreas Degradadas e a Conservação da Biodiversidade do Bioma Caatinga da Região do Baixo Açu – RN), foi um dos 44 (entre os 928 inscritos) aprovados na quarta edição do Programa Petrobras Ambiental, em grande evento na sede da empresa, no Rio de Janeiro, no dia 26 de outubro.
O Caatinga Viva, que tem orçamento de 3.5 milhões de reais, e é liderado, no âmbito da Embrapa, pelo pesquisador da Embrapa Solos Silvio Tavares, pretende, nos anos de 2011 e 2012, implantar usina de briquetes com capacidade de fabricação anual de 4.680 toneladas em uma das áreas mais suscetíveis do Brasil ao processo de desertificação, a região do Baixo Açu, no Rio Grande do Norte. A capacidade desta usina equivaleria a 362.628 m3 de lenha, o que corresponde a exploração equivalente de 403 ha/ano da caatinga.
"A biomassa a ser fornecida para esta biofábrica será produzida por grupos organizados de agricultores e extrativistas (carnaubeiros) locais", diz o potiguar Silvio Tavares. "Entre os principais resultados esperados pelo projeto estão a substituição de praticamente 100 % da lenha utilizada na indústria ceramista da região, e uma diminuição significativa da pressão antrópica sobre a vegetação nativa da caatinga que terá possibilidade de regeneração natural muito mais acelerada", completa Silvio.
Também importante aspecto do projeto, é o envolvimento da concessionária de águas e esgotos do RN (CAERN) que testará em escala real de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da região, o polimento final de suas águas residuárias para produção de biomassa também para briquetagem. Se os estudos se mostrarem viáveis, a CAERN assumirá o compromisso de replicar essa tecnologia de polimento de esgoto para produção de biomassa para todas as suas ETEs do estado do Rio Grande do Norte.
Outro grande benefício do trabalho para a Embrapa Solos, vai ser a aquisição de cromatógrafo gasoso (avaliado em R$ 560.000,00) para o nosso laboratório.
Os demais parceiros do Caatinga Viva são a ONG Carnaúba Viva (proponente do projeto), o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Associação Norteriograndense dos Engenheiros Agrônomos (ANEA).