Projetos ligados à sustentabilidade da suinocultura desenvolvidos em São Gabriel do Oeste (MS) poderão ser ampliados a partir do segundo semestre de 2010 e início de 2011. A proposta é que as ações realizadas no município se tornem modelo de agricultura sustentável.
A decisão de ampliar o projeto e agregar novos parceiros foi tomada durante workshop sobre o “Aproveitamento Múltiplo da Biodigestão na Agroindústria e Cidades”, realizado em São Gabriel no dia 16 de novembro, com a participação de aproximadamente cem inscritos. A iniciativa é da Embrapa Pantanal (Corumbá/MS), com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
O pesquisador Ivan Bergier, da Embrapa Pantanal, disse que vem sendo implantada uma Unidade Demonstrativa em uma granja de suínos de um único produtor. O MCT já investiu até o presente momento R$ 455 mil no projeto. A Embrapa investiu cerca de R$ 100 mil por meio do Macroprograma 3. Os macroprogramas são a forma como a Embrapa faz a gestão de seus projetos de pesquisa.
Com o eventual aporte de novos recursos, deverá ser possível ampliar a Unidade Demonstrativa para outros produtores do assentamento Campanário. Com a expansão, as ações poderão contemplar uma abordagem de estudos na escala de bacia de drenagem, na nascente do rio Coxim, um dos formadores do rio Taquari.
A suinocultura é a principal atividade econômica do município. Quando esses estudos estiverem concluídos, será estimulada a diversificação do sistema de produção, já que o biofertilizante produzido a partir da biodigestão de dejetos das granjas poderá ser utilizado na produção de carne bovina, leite, milho e outros produtos agropecuários e florestais.
A proposta passa pela implantação da chamada Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que vem sendo estimulada pela Embrapa e pelo Mapa por meio do Produção Integrada em Sistemas Agropecuários (Pisa). O biofertilizante pode ser chave para o sucesso da ILPF/Pisa em certas regiões do país.
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Aplicação de biofertilizante em
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As pesquisas devem indicar se os resíduos biodigeridos funcionariam como fertilizantes nobres na ILPF/Pisa, bem como na recuperação de áreas degradadas, com ganhos de produtividade e redução de externalidades ambientais.
Os produtores com biodigestores podem, ainda, gerar energia elétrica para consumo próprio e eventualmente obter renda a partir da venda do excedente de energia pela Geração Distribuída. “A sustentabilidade requer o uso de energia renovável e de insumos reciclados para substituir ao máximo o uso de combustíveis fósseis e fertilizantes químicos oriundos do petróleo, que ampliam em demasia a ‘pegada humana’ da agricultura”, disse Ivan.
A reciclagem de nitrogênio e o uso de energia renovável (metano do biogás) em cadeias agropecuárias integradas podem reduzir substancialmente a contribuição humana para a mudança climática. E o uso de água de chuva armazenada para a limpeza das granjas, e até mesmo para a irrigação, também prevê balanços favoráveis quanto ao uso dos recursos hídricos.
São novos parceiros do projeto a Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e a empresa Maxwell Bohr, de Londrina.
