Direcionadas a produtores e estudantes, palestras sobre os benefícios ambientais das práticas extensivas da pecuária pantaneira tradicional integram as diversas ações do projeto Pecuária Sustentável. Coordenada pela Embrapa Pantanal, a iniciativa se baseia nos resultados positivos da análise acerca do índice de desmatamento na área da bacia do Alto Paraguai. Estudos promovidos recentemente, a partir da parceria entre organizações não governamentais e instituições de pesquisa, incluindo a própria Embrapa, constataram que após 270 anos da atividade na região, aproximadamente 87% da vegetação nativa ainda está preservada.
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A pesquisadora Raquel Soares Juliano conta que o grande objetivo do programa é utilizar os diferentes meios de comunicação para divulgar a todos os tipos de público as principais características da criação de gado local. A veiculação conta com o apoio do Ministério da Agricultura e do setor produtivo para demonstrar ainda outras tecnologias desenvolvidas e preconizadas pela equipe de pesquisas da unidade no sentido de conservar esse ecossistema. Universitários e profissionais da área de comunicação também terão oportunidade de vivenciar e discutir as melhorias do sistema com visitas às propriedades.
— Sabendo que o desenvolvimento sustentável contempla o equilíbrio dos aspectos sociais, econômicos e ambientais, esperamos que as práticas que levam esse sistema produtivo para o caminho da sustentabilidade sejam cada vez mais aplicáveis, viáveis e recompensadoras para os criadores. Há necessidade de uma remuneração diferenciada para o produtor que obedece aos critérios de proteção ambiental e sustentabilidade — observa.
Raquel explica que os dados reiteram a manutenção de pastagens nativas nas fazendas como base desse potencial de conservação. O Pantanal intercala períodos de cheia com épocas de seca intensa dificultando a alimentação do gado, então o reconhecimento de área e outras estratégias proporcionam a disponibilização de alimentos em quantidade e qualidade adequadas às diferentes categorias de animais. A aplicação de vacinas, vermifugações, controle de bicheiras de umbigo e principalmente a utilização de reprodutores adaptados ao clima quente também são medidas fundamentais para o bem-estar do rebanho.
— É sempre bom lembrar que é a produção de bezerros que dá lucratividade ao sistema. Sendo assim, a seleção de matrizes e implantação das estações de monta favorecem a obtenção de bezerros mais sadios, pesados e com maior valor de mercado — diz ela.
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