Uma visita exploratória nas bacias de estudo da ecorregião do Planalto Central, realizada em 24 de agosto, por pesquisadores da Embrapa Cerrados Planaltina-DF) e por professores do Grupo de Hidrologia da Universidade de Brasília, deu início as atividades de campo do projeto GeoCerrado. As bacias do Sarandi e do Parque Nacional de Brasília foram selecionadas como representativas da ecorregião do Planalto Central.
Segundo a coordenadora do projeto e pesquisadora da Embrapa Cerrados, Adriana Reatto, a ecorregião do Planalto Central foi eleita como área “piloto” do projeto devido a disponibilidade de diferentes níveis de detalhe para o mapeamento e facilidade de deslocamento da equipe para os estudos em campo.
“Selecionamos e verificamos nessa visita se as bacias respondem às questões da pesquisa previstas no projeto com foco em sistemas sustentáveis de produção. A bacia do Sarandi é agrícola e a do Parque Nacional de Brasília é preservada. Assim poderemos caracterizar e comparar os serviços ambientais prestados em cada uma dessas bacias”, explica a pesquisadora ao ressaltar que serviços ambientais são os benefícios que o ser humano pode obter de um ecossistema.
A paisagem da ecorregião do Planalto Central é composta por duas superfíceis geomorfológicas de aplainamento: a superfície Sul Americana, com altitude acima de 900 metros, e a superfície Velhas, abaixo de 900 metros. Portanto, o extratificador da paisagem nessa ecorregião são essas superfícies. A pesquisadora da Embrapa Cerrados destaca que as bacias
selecionadas têm a vantagem de conter essas unidades de paisagem.
Entre outros critérios para seleção das bacias estão a presença de vegetação natural, uso agrícola, variabilidade de solos, instrumentação para análises climáticas e a representatividade dessas bacias na ecorregião do Planalto Central. Além da bacia do Sarandi abranger parte da Fazenda Experimental da Embrapa Cerrados, o que possibilitará realizar as análises no nível de propriedade rural no âmbito do projeto.
*Modelo Geoambiental-*o objetivo do projeto é desenvolver uma metodologia para medir o potencial que uma dada área tem em prestar serviços ambientais. Os dados coletados nas bacias da ecorregião do Planalto Central, área piloto do projeto, serão utilizados para o desenvolvimento do Modelo Geoambiental.
Uma vez gerado o modelo geoambiental será aplicado e validado nas outras cinco bacias representativas das ecorregiões de estudo desse projeto. Essas bacias são Chapadão do São Francisco (Oeste Baiano), Paraná-Guimarães (Sudoeste Goiano), Jequitinhonha (Alto Rio Pardo), Bananal (Depressão do Médio Araguaia) e Parecis (Sinop-MT e entorno).
Esse projeto, além de estabelecer modelos e indicadores sobre os serviços ambientais de uma dada área no bioma, fará uma integração e sistematização dos dados já estudados de solos, clima, cobertura vegetal e uso da terra e recursos hídricos. Para isso, especificamente na bacia do Sarandi serão recolhidos os resultados de 30 anos de pesquisa nas
estações meteorológicas e o histórico das áreas experimentais da Embrapa Cerrados.
A análise multitemporal desses experimentos permitirá estabelecer a evolução do uso com o tempo e analisar os serviços ambientais prestados por essa bacia agrícola.“É um desafio, pois há muitas informações que estão dispersas e precisam ser integradas”, afirma Reatto. (Liliane Castelões)