O Projeto Produtor de Águas é um programa da ANA (Agência Nacional de Águas) e já funciona no Paraná e em São Paulo. No Rio de Janeiro, o projeto está sendo implantado na Bacia do Rio Guandu, no norte fluminense, desde o ano passado. O programa consiste em proteger a mata ciliar, conservar o solo e adotar práticas de plantio ambientalmente corretas para melhorar a qualidade da água. Para incentivar os proprietários, o programa paga pelos serviços ambientas prestados.
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— Nós estamos com 1 ano de projeto e já temos resultados palpáveis. Dezoito proprietários já estão trabalhando com a conservação e receberam um total de R$ 18 mil para recuperarem as matas ciliares. Estes proprietários estão conservando em suas propriedades 920 hectares de mata ciliar e estão plantando mais 60 hectares — diz Gilberto Pereira, um dos coordenadores do programa e diretor técnico do Instituto Terra.
Além do pagamento em dinheiro, os proprietários recebem outros benefícios como cercas para protegerem seus plantios, a instalação de um sistema de saneamento em suas propriedades e melhorias na comunidade como a revitalização de um espaço público da região ou a reabertura de uma escola rural. Uma equipe do projeto também fica disponível para visitar as fazendas e orientar os produtores a melhorarem as pastagens e produzirem melhor.
— É importante o produtor entender que a propriedade está inserida em um conjunto, que ela não está isolada. Dentro da propriedade ou perto da casa deles deve passar um rio, que determina uma área da microbacia. Então, se ele pensar bem, o proprietário que é dono da nascente tem a ver com o produtor está na foz da microbacia. Todos os proprietários que estão no território daquela microbacia têm suas vidas interligadas. Por isso, proteger as nascentes e matas ciliares é importante para todos, não só para os que são ambientalistas, porque mesmo os que não se dizem ambientalistas precisam da água para as suas atividades.
Gilberto Pereira explica que o saneamento básico é um dos grandes desafios no Estado do Rio de Janeiro porque é muito precário, principalmente na área rural. Por isso, o projeto Produtor de Água na Bacia do Rio Guandu também instalou unidades de tratamento de esgoto.
— Na cidade de Rio Claro, nós estamos tratando o esgoto da região e a comunidade está tendo a oportunidade de gerar gás, através deste tratamento. Algumas famílias que estão com o tratamento de esgoto implantado não estão precisando mais comprar gás de cozinha.
Outro cuidado é quanto ao tratamento de resíduos dos suínos. Muitas propriedades rurais têm criação de suínos, mesmo que pequena e os dejetos são muito problemáticos para o meio ambiente porque geram muito esgoto e poluem a água. Para fazer um tratamento específico foram criadas algumas unidades de tratamento só para suínos, algumas são integradas com uma criação de peixe, gerando economia para o proprietário que não vai necessitar comprar tanta ração de peixe, diz Pereira.