Proteção do mel branco e abelhas nativas no RS

Substituição da cultura de fumo por meliponia é tema de projeto que prevê o fomento de nova alternativa para agricultores familiares

Breno Fonseca
Agricultura Familiar

Em Campos de Cima da Serra (RS), uma espécie de abelha nativa e outra de origem africana produzem um mel branco bastante característico. Isso chamou a atenção da pesquisadora da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Cidia Witter, há alguns anos. Na época, foi identificado que esse tipo de mel estava presente somente naquele território. Para caracterizar o produto e garantir a sua produtividade, a professora Saionara Araújo Wagner, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), elaborou o projeto “Validação, fomento e disponibilização de alternativas produtivas para agricultura familiar em meliponia”. O objetivo é estimular os agricultores familiares da região a substituírem o cultivo do fumo pela cultura do mel.

O desenvolvimento da pesquisa se deu por conta da descoberta de um tipo de abelha que fazia ninhos em troncos de árvores ocas. Primeiramente, foi isolada uma área de preservação ambiental na propriedade de um agricultor familiar da região e, de lá, foram capturadas as abelhas e criadas novas colméias. A intenção era aumentar a produção para futuras análises por microscopia eletrônica. Desta forma, segundo Saionara, é possível detectar os tipos de pólen contidos no mel e, assim, chegar à identificação, classificação e obtenção.

Foram coletadas 20 amostras do mel branco e todas as plantas arbóreas que contêm o pólen já foram identificadas. Também já foram feitas as caracterizações laboratorial, microbiológica e físico-química das amostras. O próximo passo do projeto é descrever o mel, as abelhas e as produções como cultura já difundida entre os agricultores familiares dos Campos de Cima da Serra. Por isso, Saionara conta que será feita toda uma pesquisa a partir do conhecimento popular, com a finalidade de descobrir o porquê das pequenas variações de cor do mel a cada ano.

Com o reconhecimento geográfico, a proteção das abelhas nativas e do mel branco está garantida. Unidades demonstrativas, oficinas e dias de campo são, na visão da pesquisadora, uma boa forma de chegar até os produtores rurais.

— É preciso que as universidades e instituições de pesquisa desenvolvam suas tecnologias para que elas possam ser apropriadas pelos agricultores, para que não se crie, em hipótese alguma, nenhum tipo de dependência do agricultor com alguma instituição, de forma que ele possa agregar valor e melhorar sua qualidade de vida — explica.