Quanto vale uma vida?

Palestra de médico em congresso sobre biodiesel mostra malefícios do fóssil à saúde humana

Aprobio
Agroenergia

A Agência Internacional de Câncer (IARC, na sigla em inglês) acaba de classificar o diesel derivado de petróleo como um dos principais agentes provocadores de câncer no pulmão, a exemplo do cigarro e do amianto. Na cidade de São Paulo, onde a expectativa de vida é dois anos abaixo de outras capitais brasileiras, 40% da poluição do ar é provocada pelo combustível.

As informações são do médico Paulo Saldiva, professor da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na abertura da Conferência Internacional BiodieselBR 2012, o maior evento sobre biodiesel na América Latina, ontem (2/10) em São Paulo.

Segundo ele, a adição de biodiesel reduz em muito os impactos da poluição do ar na saúde humana e, em consequência, no custo da saúde pública. Ainda mais na capital paulista, onde a presença de material particulado por metro cúbico (m³) é de 28, enquanto o limite estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 10.

Estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), da USP, encomendado pela Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), mostra que de 2008 ao ano passado, quando a presença do biocombustível começou a crescer na mistura com o diesel fóssil, mostra que neste período deixaram de ser emitidas 11,8 milhões de toneladas de gás carbônico (CO²).

De acordo com outro levantamento, da Fundação Getúlio Vargas, a atual mistura de 5% de biodiesel no diesel ajuda a reduzir em 12.945 o número de internações hospitalares por problemas respiratórios, e 1.838 mortes pelo mesmo motivo. Se chegar a 10%, como a indústria do setor espera para breve e o governo sinaliza para somente em 2020, a redução de internações pode chegar a 34.520. E a de mortes, em 4.902.

Saldiva afirmou em sua palestra que de cada 100 casos de câncer em São Paulo, de 10 a 12 são por problemas de contaminação por material particulado no ar, ou seja, poluição. O médio disse que morrem na cidade, a cada ano, cerca de 4 mil pessoas por câncer no pulmão, o que supera as mortes por tuberculose e AIDS somadas.

Em 2050, no mundo inteiro, menos pessoas morrerão por diarreia ou malária, mas muito mais por poluição do ar, disse o especialista. “Os critérios sobre o uso de combustíveis, fósseis ou renováveis, sempre foram econômicos, poucas vezes ambientais ou mesmo de saúde pública – acrescentou –. Por que o Ministério da Saúde não está aqui hoje? Por que ele paga essa conta. Afinal, quanto vale uma vida?”, concluiu.