Até o final da década de 90, a preocupação com a adaptação de bovinos de corte a rações com teores elevados de concentrado era inexistente. É o que afirma o pesquisador Pedro Veiga Rodrigues Paulino, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que irá ministrar palestra no IV Congresso Latino Americano de Nutrição Animal (CLANA) a partir de pesquisa realizada com dados coletados principalmente nos Estados Unidos, onde a prática de confinamento de animais é mais antiga.
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O professor comenta que, por serem recentes em território brasileiro, as dietas de alto grão ainda representam uma pequena parcela na alimentação de zebuínos como os nelores. Por conta disso, a palestra visa oferecer aos produtores estratégias que favoreçam a indústria de confinamento.
— Hoje, o Brasil profissionalizou-se na indústria de confinamento, com projetos de até 100 mil animais. Temos técnicos muito bem capacitados. Não deixamos nada a desejar a nenhum país do mundo. Além disso, temos muito a ofertar aos nossos animais, devido à grande quantidade de alimentos. Temos desde milho e sorgo até uma gama muito grande de subprodutos, como casca de soja, poupa cítrica, caroço de algodão — ressalta Pedro, completando que os grãos são os concentrados energéticos mais comumente utilizados, mas que os outros produtos também proporcionam dietas com alta densidade de energia e baixo risco para os criadores.
A partir de uma análise da composição química, o professor diz que as proteínas, minerais e carboidratos presentes nas rações altamente concentradas exigem controle mais rigoroso da qualidade de matéria prima, além da mistura de ingredientes com maquinários que atendam a demanda e favoreçam dietas mais homogêneas e ricas, o que acaba por diminuir o risco de distúrbios metabólicos, como a queda do PH do rúmen causadora de problemas de acidose, por exemplo.
Pedro explica que a dieta ideal para um animal confinado é aquela que atenda às suas necessidades nutricionais. Portanto, raça, sexo e peso são alguns fatores a serem levados em consideração na escolha do nível nutricional das rações. Outro fator a ser levado em consideração é a transição correta da dieta baseada em forragem e pasto para a de alto concentrado, já que o período de confinamento dos animais brasileiros é relativamente curto.
— No geral, o que observamos no Brasil são dietas para animais confinados com nível de proteína bruta um pouco mais elevado do que em outros países, já que o animal entra no confinamento vindo do pasto. Sua condição corporal está ruim. Durante o ganho compensatório, no início do confinamento, colocamos mais proteína — aconselha o professor.
