Ractopamina: mais carne e menos gordura na carcaça

Molécula deve ser adicionada à ração na proporção de 5 a 10 mg por quilo nos últimos 28 dias antes do abate e animais ganham de 7% a 20% a mais de peso

Juliana Royo
Nutrição Animal

A alta concentração de gordura na carne suína não é boa nem para o consumidor, que cada vez mais prefere carnes leves, nem para o produtor. Além de ele não ter um produto valorizado no mercado, os animais que concentram muita gordura perdem em desempenho e acabam não acumulando toda a proteína que deveriam. A ractopamina é uma molécula, semelhante a um hormônio, que provoca uma mudança no metabolismo dos animais e deve ser misturada em forma de pó na ração durante os últimos 28 dias antes do abate. Ela provoca uma melhora na eficiência alimentar diminuindo a quantidade de gordura e aumentando a concentração de carne. Com isso, o produtor tem mais produtividade e o produto valorizado.

|BARRA_AUDIO|

O professor de produção e nutrição de monogástricos do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (Ufla) Vinícius Cantarelli é um dos pesquisadores dos efeitos da ractopamina em suínos. Ele é um dos palestrantes do III Workshop Nutrição de Suínos, que acontece dia 27 de agosto, na cidade de Nova Odessa, em São Paulo, onde vai apresentar os resultados de pesquisas da universidade. A Ufla é reconhecida mundialmente pelos estudos na área e foi pioneira em trabalhos sobre a avaliação da adição da molécula na ração de suínos.

Cantarelli explica que quando os animais começam a ficar muito gordos, acima dos 70 kg, aumentam o consumo de ração e passam a comer mais do que precisam, levando a um acúmulo grande de gordura e diminuindo a concentração de proteína, que é convertida em carne. Após diversos estudos, os pesquisadores chegaram à conclusão de que o ideal é oferecer de 5 a 10ppm de ractopamina aos animais. Isto significa de 5 a 10 miligramas do produto por quilo de ração. Segundo Cantarelli, o resultado seria um ganho de peso de 7% a 20% a mais, dependendo de alguns fatores como genética, alimentação, sanidade e manejo.

— O interessante desta molécula é que ela é boa para o produtor e também para a indústria. A ractopamina passa a incorporar a dieta para melhorar a eficiência alimentar, o desempenho, a rentabilidade do produtor e o produto final.Outro ponto é a questão ambiental porque trabalhamos com conceito de sustentabilidade no agronegócio. Como podemos trabalhar essa questão na dieta dos suínos? De varias formas, incluindo a ractopamina porque ela aumenta a eficiência dos nutrientes e diminui a excreção dos nutrientes, reduzindo os impactos ambientais negativos que os dejetos causam. Observamos melhoria no ganho de peso de 7% a 20%, segundo estudos da UFLA. Eu prefiro trabalhar com uma média de 10%, que é um resultado bastante interessante — destaca o professor.