Raio X pode detectar e prevenir má-formação de sementes

Ondas eletromagnéticas de baixa energia revelam danos internos em tecidos embrionários de hortaliças

Nivea Schunk
Sementes e Mudas

A utilização de raio X na definição estrutural e fisiológica de sementes pode ser uma maneira de substituir os tradicionais testes de germinação por imagens que podem indicar as causas de má-formação dos embriões. Esse é o foco de um trabalho de pesquisa fruto da parceria científica firmada entre a Embrapa Hortaliças, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a Universidade Federal de Lavras (Ufla), o Instituto Agronômico (IAC), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV). 

Coordenador dos testes na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Warley Nascimento enfatiza que esse diferencial na técnica de seleção reflete diretamente no desenvolvimento das plantas no campo. A unidade, localizada em Brasília, é responsável pela observação das famílias de hortaliças e vem pesquisando as cucurbitáceas: abóbora, melão e pepino.

— Não é possível verificar a razão das deformações internas através dos processos corriqueiros. A implantação do método possibilita a correção na etapa prévia, identificando desde os danos mecânicos de beneficiamento até as picadas de inseto. A alternativa conserva a semente para outros testes e compara a imagem com o resultados de testes de crescimento — explica.

Para o acompanhamento da maturação de sementes, os frutos são colhidos de experimentos implementados na própria Embrapa. Após a extração dos embriões em estágios variados de crescimento são feitos os primeiros exames laboratoriais fisiológicos. A partir daí, o material segue para os laboratórios da Ufla e Esalq, onde são feitas as análises com o raio X.

"O método possi-
 bilita identificar
 danos mecânicos
 e até picadas de
 insetos."


 Warley Nascimento,
 da Embrapa Hortaliças

— Composto de ondas eletromagnéticas que se propagam na velocidade da luz, o raio X utilizado nas experiências é de baixa energia. Devido à diversidade de estruturas morfológicas das espécies é preciso adequar a metodologia. O tempo de exposição e distância entre a máquina e o material interferem na geração de imagens mais nítidas do que está ocorrendo dentro do tecido embrionário — afirma.

Ainda em fase inicial, segundo Nascimento o procedimento deverá constar entre as regras que preconizam as metodologias de análise adotadas pelo Ministério da Agricultura. O intuito é elevar o nível de seleção das sementes para o maior número possível de espécies, priorizando aquelas que encontram dificuldade de estabelecimento, como tomate, pimenta e pimentão.