O estresse hídrico pode comprometer muito a produção de soja. Mas, com um manejo adequado, esse problema pode ser enfrentado e reduzido. Esse foi o tema da Palestra sobre Manejo da Soja Visando Minimizar Efeitos do Stress Hídrico, do evento Ma Shou Tao 2011, que aconteceu na Fazenda Boa Fé, no município de Conquista (MG), nos dias 16 e 17 de fevereiro. Segundo o pesquisador da Fundação Triângulo Neylson Arantes, o manejo deve ser feito para que a planta tenha as raízes mais profundas possíveis.
|BARRA_AUDIO|
– Para que a planta suporte a falta de água, ela precisa desenvolver raízes profundas para ter condições de buscar água em uma profundidade maior. Com a seca, a tendência é a umidade secar de cima para baixo. Ela escorre, desce no perfil do solo e, ao mesmo tempo, ocorre uma evaporação. O manejo correto visa fazer com que a planta tenha raízes bem profundas e suporte o stress caso ele ocorra – explica.
Para o pesquisador, existem cinco medidas que o agricultor deve tomar para conseguir obter essas raízes mais profundas. Entre elas, está a correção da acidez do solo.
– Essa correção deve ser feita não só na superfície, mas ao longo de todo o perfil do solo. Ao contrário, a raiz não terá condições de aprofundar, porque a presença de acidez em profundidade vai dificultar ou impedir o desenvolvimento celular. Para isso, existem mecanismos, como a utilização de gesso – afirma.
Neylson diz que uma segunda medida importante é a identificação de camadas compactadas, que podem ser formadas devido ao trânsito de máquinas e a utilização intensiva do solo ao longo dos anos. Para ele, é necessário utilizar equipamentos para conter essa compactação durante o plantio.
– A camada forma uma barreira física e a raiz não consegue aprofundar. Existem hoje equipamentos de plantio, como semeadeiras, que utilizam hastes de ferro e rompem essa camada compactada, desde que seja regulada na profundidade correta, para que as raízes se aprofundem – diz o pesquisador.
Outra medida que o produtor deve tomar é trabalhar com população de plantas mais baixas e sem excesso. O pesquisador explica que, quando muitas plantas se encontram na linha, acabam competindo entre si. Com isso, produzem hastes mais finas e menos vigorosas, além de raízes mais frágeis e superficiais. Para Arantes, a prática de rotação de culturas também deve ser adotada.
– Com a rotação de cultura, você rompe a camada compactada, já que as espécies têm capacidades de penetração no solo diferentes – explica.
Bons resultados
O pesquisador afirma que os resultados obtidos com a utilização das técnicas têm sido satisfatórios.
– Fotografei lavouras com 30 dias de seca e, nos locais que estavam bem manejados, que tinham raízes profundas, as plantas estavam vivas. Já nos locais onde as plantas estavam impedidas de desenvolver raízes, que tinham raízes superficiais, essas plantas estavam mortas – diz ele.
Neylson explica que existem fases críticas para que a planta desenvolva o estresse, como a fase de enchimento de grãos. Nessa fase, a planta precisa de água para encher grãos. Portanto, se acontecer uma seca, ela acelera o ciclo e acaba produzindo grãos pequenos.
Segundo Arantes, ainda resta uma última opção de baixo custo ao agricultor: escolher variedades de soja resistentes aos fungos e aos nematóides que atacam as raízes.
– Em vez de usar uma soja suscetível a um nematóide, basta saber que tem o nematóide. Ao contrário, ele vai destruir a raiz e a planta não vai absorver a água. O preço de uma soja resistente é o mesmo de uma suscetível. Portanto, praticamente não altera os custos – afirma o pesquisador.
Para saber mais sobre o assunto, basta entrar em contato com a Fundação Triângulo através do número (34) 3312-3580.
