Sob a sombra esparsa de uma umburana, o jovem Ueslei Evangelista, 22, rega as mudas de umbuzeiro que resistem à falta de chuva, na Fazenda Moura, no município de Juazeiro, BA. Ele foi um dos 20 pesquisadores locais selecionados pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, através do Programa Pacto Federativo, no território e aposta muito na proposta de recaatingamento para reverter a escassez de chuvas.

Ele cuida das mudas de umbuzeiro com a expectativa de replantá-las, enxertadas com o umbuzeiro gigante. “Os umbuzeiros estão velhos, os bodes não os deixam crescer”, diz ele, também preocupado com a possibilidade de as novas gerações não virem a conhecer esta planta.
A sua alegria diante dos brotos dos galhos de umburana-de-cambão, plantados por ele em uma área desmatada, é um sinal da grande confiança que tem no projeto de recaatingamento que partilha com o técnico da EBDA, Fernando Moura Duarte. A boa aptidão da umburana para a recuperação de áreas desmatadas de caatinga – que é chamado de recaatingamento – foi observada no campo ao ver o rebrotamento dos galhos dessa planta usada em cercas, segundo Ueslei. “Ver este trabalho dando certo aumenta nossa perseverança para continuar”, disse ele.
Ueslei destaca que a EBDA, em Juazeiro, é uma grande incentivadora do recaatingamento. “Ela nos provocou e aceitamos o desafio, e começamos a produzir as mudas. O semiárido está enfrentando mais uma grande estiagem, e a caatinga é resistente a este fenômeno, mas ela não é resistente à ação predatória dos humanos”, lembrou o Evangelista.