A disponibilidade de água, as condições climáticas e a extensão territorial conferem ao Estado do Tocantins potencial para produção agrícola, ressaltando-se as culturas de grãos e, dentre elas, o arroz irrigado por inundação. A Embrapa Arroz e Feijão disponibiliza uma série de informações técnicas para o cultivo do cereal nesse ambiente.
Há recomendações sobre a sistematização do terreno, a adubação, a calagem, a escolha de variedades, a semeadura, o manejo da irrigação, o controle de pragas e doenças, a época de colheita, a soca e a secagem, beneficiamento e armazenagem.
Especificamente, no que diz respeito ao controle de plantas daninhas, aquelas que a Embrapa Arroz e Feijão considera que ocorram com maior frequência na cultura do arroz, no Estado do Tocantins, são Echinochloa crusgalli e E. colonum, Cyperus ferax, C. iria e C. difformis, popularmente conhecida por junquinho, e Fimbristylis miliacea, denominada culminho. Elas são bastante competitivas na fase inicial da cultura, sendo a competitividade diminuída posteriormente, em especial, se a cultivar de arroz for de porte elevado, pois estas espécies não toleram o sombreamento.
Conforme a Embrapa Arroz e Feijão, ocorrem também outras espécies como Heteranthera reniformes, Sagitaria montevidensis, e semi-aquáticas, como Ludwigia longifolia e L. octovalvis. Há espécies, como as do gênero Commelina e Ipomoea, que, além de serem altamente competitivas, dificultam a colheita mecânica e conferem altos teores de umidade ao grão. Dentre o gênero Brachiaria, destacam-se as espécies B. decumbens (capim-braquiária) e B. plantaginea. O gênero Cenchrus é constituido por 23 espécies, sendo a mais importante a C. echinatus (timbete). Dentre o gênero Digitaria, destacam-se as espécies D. horinzontalis, D. insularis e D. sanguinalis. A diferenciação das espécies a campo é bastante difícil, sendo popularmente chamadas de milhã ou capim-colchão. O arroz daninho, que pertence a mesma espécie do arroz cultivado, Oryza sativa, também está presente no Tocantins.
Nesse Estado, a Embrapa Arroz e Feijão tem como estratégia para o controle de plantas daninhas o conceito de adoção de certas práticas que resultem na redução da infestação, mas não necessariamente na sua completa eliminação, tendo em vista o objetivo principal de evitar o aumento da infestação das plantas daninhas e as perdas de produção, devido à competição.
Para a Embrapa Arroz e Feijão, a associação de métodos de controle deve ser utilizada sempre que possível, porém, é conveniente que a estratégia de controle (melhor método, no momento oportuno) esteja adaptada às condições locais de infraestrutura, disponibilidade de mão-de-obra e implementos e análise de custos.
Com isso, o controle químico pelo emprego de herbicidas tem sido um dos métodos mais utilizados para o controle de plantas daninhas na cultura do arroz, devido à praticidade e à eficiência. Por se tratar de um método que envolve o uso de produtos químicos, a Embrapa Arroz e Feijão considera subentendido a existência de conhecimentos mínimos, principalmente, para atender a requisitos fundamentais como máxima eficiência com custos reduzidos e mínimo impacto ambiental.
Na prática, muito comumente as plantas daninhas são divididas em dois principais grupos. As monocotiledôneas, conhecidas como plantas daninhas de “folhas estreitas” (gramíneas e ciperáceas) e as dicotiledôneas, conhecidas como “folhas largas”.
Basicamente, para o controle de monocotiledôneas, recomenda-se, dentre outros, os herbicidas como pendimethalin (1500 g i.a./ha) e oxyfluorfen (240 g i.a./ha), em pré-emergência, e fenoxaprop-p-ethil (70 g i.a./ ha) e clefoxydin (150 g/ha), em pós-emergência.
Para as dicotiledôneas, recomenda-se os herbicidas metsulfuron (3,3 g i.a./ha) e pirazosulfuron (20 g i.a./ha), em pós-emergência.
Para a escolha do herbicida devem-se considerar as espécies infestantes na área, a época em que se pretende fazer as aplicações, as características físico-químicas do solo, o tipo de preparo de solo, a disponibilidade do produto no mercado e o custo. Para saber mais sobre esse e outros assuntos sobre o manejo das lavouras de arroz nas várzeas do Tocantins, consulte o documento.