A Rede de Fomento à Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), formada pela Embrapa, Cocamar, John Deere e Syngenta, realizou no final de outubro, na Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), reunião para apresentar a iniciativa do grupo a empresários de diversos setores do agronegócio. Participaram da reunião, diretores das empresas Parker Hannifin, Koch Agronomic, Ourofino, Mosaic Fertilizantes, Zoetis, Fertilizantes Heringer e agentes financiadores do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e da Fundação Banco do Brasil.
A Rede de Fomento, criada em 2012, é um exemplo de parceria público-privada. O objetivo da Rede é somar esforços na implementação de mecanismos que incentivem no País a adoção dos sistemas de produção integrados, principalmente iLPF nas suas diferentes modalidades.
As instituições integrantes da Rede aportam recursos financeiros, que são gerenciados pela Fundação Eliseu Alves, e comprometem-se com o fomento de estratégias de transferência de tecnologias. Os parceiros fazem a gestão e a governância da Rede junto com a Embrapa para definição das prioridades de ações de transferência de tecnologias e a alocação dos recursos.
O presidente da Embrapa Maurício Lopes ressaltou que o modelo da Rede permite a aproximação entre os setores público e produtivo. “Os integrantes da Rede têm voz para definir prioridades e ações de transferência de tecnologia. Este é o momento de todos se tornarem protagonistas na construção da nova agricultura tropical e nessa Rede há espaço para muitos outros parceiros”, afirmou.
A importância da pesquisa para o desenvolvimento da agricultura no Brasil e para a elaboração de políticas públicas foi ressaltada pelo presidente da Embrapa. Lopes citou como exemplos os estudos de zoneamento de risco climático, zoneamento agroecológico de cana-de-açúcar e o Plano Setorial ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), composto de uma série de tecnologias desenvolvidas pelo Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA), coordenado pela Embrapa, entre elas, a iLPF.
Experiências
O presidente da John Deere, Paulo Herrmann, da Cocamar, Luiz Lourenço e da Syngenta, Laércio Giampani, apresentaram seus depoimentos sobre as experiências e os resultados conquistados com a participação na Rede de Fomento à iLPF.
O presidente da John Deere e da Assembleia da Rede de Fomento, John Deere, comparou o trabalho da Rede a uma jornada. “As empresas integrantes têm alguns compromissos e, por isso, o tempo mínimo de permanência é de cinco anos. Não é um trabalho efêmero, mas contínuo em que teremos de quebrar paradigmas e diminuir gargalos. Os novos parceiros devem chegar de cabeça aberta para juntos construirmos este longo caminho“, afirmou.
Os objetivos do setor privado na Rede vão além da rentabilidade financeira. “Não nos interessa se iremos aumentar a venda de nossos produtos, como também não é uma questão de segregar competidores. O que queremos é apoiar projetos que gerem sustentabilidade e há espaço para as empresas que atuam em diferentes setores do agronegócio”, declarou o presidente da Syngenta, Laércio Giampani.
Duas experiências exitosas foram apresentadas pelo presidente da Cocamar Luiz Lourenço. Ele citou os exemplos da Fazenda Alvorada, em Cruzeiro do Oeste (PR), e Fazenda 2E, em Cidade Gaúcha (PR), em que as pastagens degradadas tornaram-se altamente produtivas. Lourenço também mostrou dados de Unidade de Referência Tecnológica (URT) em Iporã (PR), em que é desenvolvida integração lavoura-pecuária (ILP) em uma área de 42 mil hectares.
Projetos
Para fortalecer a geração de tecnologias e adoção dos sistemas iLPF, a Embrapa criou um portfólio de pesquisa voltado para este tema. Em reunião, no dia 30 de outubro, parte da equipe técnica reuniu-se, na sede da Empresa, em Brasília, para definir ações de projetos de transferência de tecnologia que fazem parte da Rede de TT iLPF, coordenada pela Embrapa.
O projeto de Rede de TT iLPF prevê, entre outras atividades, a implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URT’s) em todas as regiões do País. Nessas URT’s serão geradas, validadas e transferidas tecnologias em diferentes sistemas de iLPF, assim como serão realizados cursos de capacitação continuada para técnicos multiplicadores, levando-se em consideração as peculiaridades de cada região e perfis dos produtores rurais.