Rede de Piscicultura Marinha busca tecnologias para criação do bijupirá no Brasil

Grupo de pesquisadores vem atuando para desenvolver a piscicultura nos mais de 7 mil quilômetros da costa brasileira

Embrapa Tabuleiros Costeiros
Manejo

Desenvolver tecnologias para a criação sustentável do bijupirá, também conhecido como cação de escamas, nos mares brasileiros. Este é o principal objetivo da Rede de Pesquisa e Desenvolvimento em Piscicultura Marinha – Repimar com o projeto “Desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para a criação do bijupirá no Brasil”.

Constituído em 2007, o grupo de pesquisadores vem atuando em conjunto para gerar conhecimento e tecnologias para desenvolver a piscicultura nos mais de 7 mil quilômetros da costa brasileira. Atualmente, a Repimar conta com dezenas de pesquisadores de vários institutos de pesquisa e universidades do Brasil e outros países.

Compõem a Repimar a UFRPE, UFRB, UERJ, UESC, UFPE, UFSC, FURG, FIPERJ, UFLA, Instituto de Pesca – SP, FUNDAJ, USP (FZEA-Pirassununga e ESALQ-Piracicaba), Virginia Tech (EUA) e Fundação Joaquim Nabuco, além da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF), Embrapa Meio-Norte (Teresina, PI) e Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
O projeto

Apesar de estar sendo cultivado comercialmente em outros países há aproximadamente uma década, o bijupirá, de nome científico Rachycentron canadum, ainda não foi objeto de estudos científicos em nosso país. Por isso, a sua metodologia de cultivo ainda não foi estabelecida com bases científicas.

Aprovado no final de 2009 dentro do Macroprograma 2 da Embrapa, que abrange competitividade e sustentabilidade setorial, o projeto é composto por planos de ação (PAs) que abordarão os grandes fatores de estrangulamento do desenvolvimento da atividade. Os temas dos PAs envolvem questões de nutrição e alimentação, recursos genéticos, sanidade, manejo dos sistemas de produção e aproveitamento agroindustrial.

Duas sub-redes foram constituídas em exigência ao edital Piscicultura Marinha, do Ministério da Pesca e Aquicultura, via CNPq. Foram aprovadas duas propostas com abordagem em questões que consideradas cruciais na cadeia produtiva do bijupirá no Brasil e que vêm sendo demandadas pela iniciativa privada. 

A sub-rede coordenada pela UFRPE, intitulada “Nutrição, Sanidade e Recursos Genéticos”, vem desenvolvendo estudos em Avaliação da viabilidade econômica do cultivo do bijupirá em diferentes sistemas de produção; Estudo de mercado do bijupirá no Nordeste do Brasil – Caracterização dos consumidores e potencialidades de comercialização; Avaliação de ingredientes alternativos à farinha e ao óleo de peixe em rações e efeitos da domesticação sobre a fisiologia digestiva do bijupirá; Identificação dos agentes patogênicos presentes na criação do bijupirá; e Caracterização e preservação do sêmen do bijupirá como base para a formação de um banco de germoplasma e suporte a programas de melhoramento genético. 

Liderada pela FURG, a sub-rede “Sistemas de Produção, Qualidade Ambiental e Processamento” irá realizar o Estudo de mercado do bijupirá nas regiões sul e sudeste; Performance do bijupirá em diferentes Sistemas de Produção, incluindo viveiros de terra, tanques-rede e sistemas de recirculação de água; A qualidade da água envolvida na produção; Impacto dos efluentes da criação ao ambiente; Boas Práticas de Manejo; e Novos métodos para o processamento do bijupirá produzido pela aquicultura com o objetivo de agregar valor ao produto.

Das várias empresas privadas que apoiam a Repimar, a Aqualider Maricultura Ltda., de Recife, PE, e a Bahia Pesca S/A, de Salvador, pioneiras no cultivo do bijupirá do Brasil, já vêm atuando em parceria com membros da equipe de pesquisa.

Resultados

“Ao final destes estudos teremos estruturado uma sub-rede de pesquisa e tecnologia em piscicultura marinha, tendo o bijupirá como espécie-alvo. Com isso, iremos ampliar o número de pesquisadores atuando em piscicultura marinha no Brasil. O projeto vai determinar parâmetros técnicos e econômicos que permitam a criação sustentável do bijupirá em consonância com a realidade brasileira”, defende o pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Carlos Alberto da Silva, líder do projeto Bijupirá no Macroprograma 2 da Embrapa. 

Os conhecimentos, tecnologias gerados ao longo da execução do Projeto Bijupirá serão difundidos para o setor produtivo, órgãos públicos e população em geral, por meio da publicação de material de divulgação, como sítio na internet, folhetos, informativos e publicações técnicas e científicas.

Integração

Na terça e quarta-feira, 23 e 24 de novembro, Recife será sede do Workshop para integração entre os projetos de pesquisa com o bijupirá em andamento. A reunião acontece na Unidade Execução de Pesquisas da Embrapa Solos, em Boa Viagem.

Durante o encontro, os grupos de pesquisa integrantes da rede terão oportunidade de divulgar os resultados obtidos até o momento e avaliar as necessidades para atingir as metas propostas.

No primeiro dia, acontecem a apresentação dos projetos componentes, PAs e resultados parciais, debates e planejamento de novas ações. Um dos palestrantes será o pesquisador espanhol Miguel Rodilla Alamá, da Universidad Politecnica de Valencia, que falará sobre “Cultivo de peixes marinhos em tanques-rede: manejo do sistema de engorda e implicações sobre o meio ambiente”.

No dia 24, os integrantes da Repimar participam do “Dia de Campo - Criação de bijupirás em tanques-redes offshore”, com visita às instalações em alto mar do projeto Cação de Escama.