Rede de Sementes Crioulas é lançada no Agreste Meridional

IPA
Genética
A Rede de Sementes Crioulas do Agreste Meridional Pernambucano foi lançada na 2ª Feira de Troca de Sementes Crioulas, que aconteceu na quinta-feira (26), em Garanhuns. A iniciativa, idealizada pelo Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), em parceria com representantes da sociedade civil, ongs e instituições governamentais, visa propor alternativas para o fortalecimento da produção dessas sementes.
 
O presidente do IPA, Gabriel Maciel, explicou que a proposta atende uma demanda estratégica do Governo do Estado, que objetiva preservar a biodiversidade local frente ao processo da agricultura moderna. Gabriel disse, ainda, que a Rede vai atuar junto aos agricultores, viabilizando alternativas que assegurem o resgate e o aumento na utilização das sementes crioulas. “Para isso, vamos promover a integração entre os bancos de variedades das sementes e proporcionar o intercâmbio de experiências, através da realização de dias de campo, palestras e oficinas de debate”, adiantou Maciel.
 
De acordo com Pedro Balensifer, extensionista do IPA, essas sementes são o contraponto aos grãos transgênicos, que não podem ser guardados por conta da lei de patentes. “A semente crioula é uma semente de liberdade e a transgênica de dependência, já que ela não pode ser guardada para o replantio no próximo ano. Além disso, as pessoas ganham na qualidade da alimentação, já que as sementes crioulas não são modificadas. A saúde começa pela alimentação. As transgênicas não podem ser armazenadas e o agricultor fica dependente de sempre precisar comprar, anualmente, novas sementes em lojas agropecuárias”, pontuou.
 
O agricultor da comunidade indígena Xukuru, Eduardo Gonçalves, enxerga na iniciativa a oportunidade de resgatar as sementes usadas pelos ancestrais e, principalmente, estimular os jovens a conscientizar as futuras gerações. Ele declarou, que para a sua aldeia, as sementes crioulas, além de serem à base de uma alimentação saudável, são símbolo de ligação com a natureza. “Além da produção de alimentos, nossas sementes são usadas na confecção de apetrechos e nos rituais sagrados como oferta de agradecimento”, destacou Eduardo, conhecido na aldeia pelo nome indígeno Nayiê Xukuru.
 
Garanhuns
Mais de 300 pessoas, entre agricultores, estudantes, técnicos e professores visitaram os 28 expositores, que estavam na 2ª Feira de Troca de Sementes Crioulas. Durante todo o dia, cerca de 500 quilos de sementes circularam pelo evento. No local, foi possível encontrar variedades de feijão, milho, fava, jerimum, cabaça (artesanato), sabiá, cravo de defunto, tomate cereja, entre outras sementes, artesanatos, comidas típicas, além de mudas de abacate, pitanga, umbú, árvores nativas e erva cidreira. Na abertura do evento, o Povo Xukuru de Ororubá realizou uma mística de agradecimento.
 
O agricultor Paulo Mota, do município de São João, conta que, graças à orientação recebida pelos técnicos do IPA, já foi possível resgatar algumas variedades antes escassas, a exemplo dos feijões Gordo, Carrapatinho e Lavandera. Com uma propriedade de oito hectares, ele desenvolve o plantio consorciado de culturas como feijão, fava e milho. "Sempre priorizamos o cultivo das crioulas, porque mantém tanto a saúde do meio ambiente e, principalmente, do consumidor", ressaltou o agricultor, que herdou as sementes crioulas do avô.
 
A 2ª Feira de Troca de Sementes Crioulas foi promovida pela Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (Sara), através do Grupo de Estudos, Sistematização e Metodologoa do IPA (Gema/IPA), e conta com o apoio das seguintes instituições: Cáritas, Centro Sabiá, Coopaf, Coopaga, Fetape, STR, Coletivo Jupago Kreká, Nedet, Núcleo Agrofamiliar, Prefeitura de Garanhuns e Serta, entre outras.