Um trabalho desenvolvido pela Fepagro (Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária) no Rio Grande do Sul confirmou uma suspeita que preocupava os produtores de trigo da região. Das 35 cultivares disponíveis para a triticultura local, nenhuma possui resistência à giberela. A doença fúngica, que hoje já assola todo o território nacional, causa perdas de até 25% de produtividade nas lavouras no Sul do Brasil. Apesar de não apresentarem resistência completa, algumas variedades oferecem tolerância parcial à doença, o que, associado a práticas adequadas de manejo, pode prevenir e até remediar o problema.
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A giberela ocorre com freqüência na Região Sul, sobretudo nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, que é um dos maiores produtores de trigo do País. Doença fúngica de infecção floral, ela ataca as espigas de trigo quando a planta é submetida a um período de chuva muito intenso durante a fase de florescimento. De acordo com o engenheiro agrônomo Ricardo Trezzi Casa, professor da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), o fator climático contribui para tornar a região mais suscetível à ocorrência da doença.
— As cultivares de trigo do Sul do Brasil possuem, de um modo geral, um período de floração que varia em torno de nove a 16 dias. E é muito comum essa região ter dias frequentes com chuva, o que faz com que a ocorrência de giberela seja particularmente constatada em todos os anos nas regiões tritícolas do Sul do País — explica Trezzi.
Para chegar à conclusão de que as cultivares não apresentam resistência à doença, pesquisadores desenvolveram um trabalho de campo em Vacaria (RS) com 35 variedades. Foi acompanhado o período de florescimento e de infecção de cada uma delas e, em seguida, foi avaliada a intensidade de giberela com base na incidência e severidade da doença.
— O trabalho mostrou que, realmente, dessas 35 cultivares nós não possuímos nenhuma resistente. O que podemos fazer é dividi-las em quatro grupos, nos quais temos algumas mais tolerantes e outras mais suscetíveis — conta o pesquisador, que aponta a indicação técnica da cultura do trigo, desenvolvida principalmente pela Embrapa Trigo, como uma boa fonte de informação para os produtores que quiserem consultar as variedades mais resistentes para as suas condições de plantio.
Controle da doença
A giberela é uma doença de difícil controle por práticas culturais, pois o patógeno sobrevive em várias espécies de plantas e, principalmente, nos restos culturais. Como atualmente praticamente 90% das áreas cultivadas do Sul do Brasil estão plantadas sob o Sistema Plantio Direto, que tem como um dos pilares a cobertura vegetal do solo, o inoculo do fungo da giberela permanece disponível nas lavouras por praticamente todos os dias do ano. Portanto, práticas como rotação de culturas têm baixo efeito no controle dessa doença.
No entanto, como o patógeno necessita de uma temperatura próxima de 25º celsius quando o trigo está florescendo e um período de chuva de um a dois dias, existem estratégias que podem evitar o desenvolvimento da giberela.
— Uma das estratégias seria o escape, ou seja, trabalhar com diferentes épocas de semeadura, semear mais de uma cultivar de trigo, com diferentes ciclos tanto da parte de desenvolvimento vegetativo quanto reprodutivo, para que tenhamos tentativa de escapar do inoculo da infecção das flores de trigo, de forma que não coincida com esse período critico de chuva — recomenda Trezzi.
Além do manejo preventivo, os produtores podem lançar mão do controle químico, direcionando aplicações de fungicidas específicos durante o florescimento da cultura.