Relação homem-coelho

Já nos primeiros dias, após o nascimento, os coelhos podem estabelecer se terão ou não medo dos humanos

Maísa Melo Heker
Manejo

As relações do homem com o animal iniciam desde o primeiro dia de vida, podendo ser positivas ou negativas. Mesmo em coelhos que nascem ainda com os olhos e ouvidos fechados, ou seja, em desenvolvimento, podem já nos primeiros dias estabelecer se terão ou não medo dos humanos.

Existe um período sensível em todos os animais e nos coelhos é na primeira semana de vida (BILKÓ e ALTBÄCKER, 2000). Sabendo disto, diversos pesquisados realizam manipulações positivas como tocar os láparos, todos os dias, por poucos minutos, como um “carinho” o que resulta em coelhos com redução de medo aos humanos após o desmame (PONGRÁCZ, 1999). Com estes estímulos positivos os filhotes aumentam sua eficiência alimentar e aprendizado sobre o ambiente em que vivem (ALLINGHAM ET AL., 1998). Segundo este mesmo autor existe a expressão endógeno do gene c-Fos no hipotálamo indicando aumento da atividade neural que coincide com a excitação que ocorre diariamente antes dos láparos serem alimentados pela mãe.

Futuras matrizes que foram estimuladas na infância apresentam maior taxa de concepção (31% maior) e menor período de gestação (redução de 1 dia), valores encontrados por Bilkó e Altbäcker (2000). A autor Verga et al. (2004a) encontrou melhores performances reprodutivas como qualidade de ninho e número de nascidos nas fêmeas que foram manipuladas positivamente quando lactentes.

Este estímulo positivo pode causar aumento no ganho de peso e peso final, também reduzir a mortalidade, principalmente pós-demame em 3% (DUPERRAY, 1996) e aparecimento de doenças por aumentar a imunidade. Por isso fiquem atentos: “Carinho” aumentar os lucros dos cunicultores em mais de 10%.

Referências Bibliográficas

ALLINGHAM, K.; von SALDEM, C.; BRENNAN, P. A.; DISTEL, H.; HUDSON, R. Endogenous expression of c-Fos in hypothalamic nuclei of neonatal rabbits coincides with their circadian pattern of suckling-associated arousal. Brain Research, v. 783, p. 210-218, 1998.
BILKÓ, Á.; ALTBÄCKER, V. Regular handling early in nursing period eliminater fear response toward human beings in wild and domestic rabbits. Dev. Psych., v. 36, p. 78-87, 2000.
DUPERRAY, J. What about the relationship between handling and mortality? Cuniculture, v. 132, p. 263-267, 1996.
PONGRÁCZ, P.; ALTBÄCKER, V. The effect of early handling is dependent upon the state of the rabbit (Oryctolagus cuniculus) pups around nursing. Dev. Psych., v. 35, p. 241-251, 1999.
VERGA, M.; CASTROVILLI, C.; FERRANTE, V.; GRILLI, G.; LUZI, E.; TOSCHI, F. Effetti della manipolazione e dell’arricchimento ambientale su indicatori integrati di “benessere” nel coniglio. Coniglicoltura, v. 2, p. 26-35, 2004ª.