A ocorrência de fusariose na cultura do urucum, detectada no sul de Rondônia, pode ser um caso inédito no Brasil e no mundo. A doença já provoca perdas de 40% na produtividade do município de Corumbiara (RO) e preocupa os agricultores da região. O fungo causador da doença, Fusarium oxysporum, foi detectado por pesquisadores da Embrapa Rondônia que haviam sido contatados pelos produtores rurais para descobrir o que prejudicava as lavouras. O relato oficial da doença será feito ainda esse ano pela Embrapa e, segundo o pesquisador José Roberto Vieira Junior, é o primeiro registro nacional desse tipo. Como o urucum é uma planta nativa do Brasil, é possível também que seja também um caso inédito no mundo.
Além da fusariose, os pesquisadores identificaram na região a presença do fungo Cephaleuros virescens, causador de uma doença conhecida como falsa ferrugem, mancha de água ou ferrugem amarela. A estimativa é que as duas infestações tenham começado em 2008, embora só tenham sido identificadas recentemente. Há dois anos as doenças vêm causando perdas crescentes na produtividade do urucum.
— Existem ainda outras pragas menos importantes, como oídio e cochonilha. Isso, somado às duas doenças principais, fez com que as estimativas de produtividade fossem descumpridas. Havia áreas que estimaram mais de doze mil quilos por hectare e não chegaram nem a quatro mil. A baixa começou em 2008, com danos de 1% às lavouras. Em 2009, já aparecia em 20% das propriedades e agora já se fala sobre algo em torno de 50% a 70%. A capacidade de expansão dessas doenças é muito veloz — alerta o fitopatologista.
Para evitar que o problema se alastre para outras regiões, algumas medidas devem ser tomadas. Em primeiro lugar, o produtor deve arrancar e destruir as plantas atacadas. Depois, é essencial utilizar sementes derivadas de plantios onde a doença não ocorre. Também é importante evitar fazer consórcio de máquinas e implementos, e até mesmo evitar transitar nas áreas onde houver focos da doença para que não haja contaminação.
— Como é um patógeno de solo, a principal forma de disseminação é via ferramentas, implementos ou, por exemplo, pela terra que adere na sola do sapato do produtor. Então deve-se evitar ao máximo a movimentação de solo na área onde tiver plantas doentes. Além de arrancar e queimar, o produtor pode colocar um pouco de calcário na cova e deixar o local atacado parado por menos de dois anos antes de fazer o replantio e torcer para que não haja mais sintomas. Não há garantia nenhuma de que a doença seja erradicada — explica.
Identificação e manejo das doenças
A mancha de água, como o próprio nome diz, pode ser identificada pelo surgimento de manchas escuras nos ramos e até mesmo no caule. Sobre as manchas, aparece uma esporulação alaranjada, típica da doença. Na medida que a chuva bate nessa lesão, as esporulações somem e deixam expostas as lesões deprimidas necróticas. As lesões pequenas aumentam e formam uma grande lesão, o que faz o ramo murchar, secar e as folhas cairem.
O tratamento da mancha de água, ou falsa ferrugem, é simples. Embora não haja produtos recomendados para o controle de doenças do urucum pelo Ministério da Agricultura, sabe-se, através de trabalhos acadêmicos, que a doença pode ser facilmente controlada com fungicidas à base de cobre. Produtos tradicionais alternativos que podem ser preparados pelos próprios produtores, como a calda bordalesa, são boas ferramentas de controle da doença.
A fusariose é um problema mais sério. Por ser um patógeno que sobrevive no solo, em restos culturais, não existem produtos que sejam eficientes a ponto de eliminar o patógeno. Pode-ser conseguir reduzir a população, mas não eliminar de vez a doença. Então, se for feito o replantio em cima do local infectado, a nova planta vai apresentar os mesmo sintomas. Não existem variedades reconhecidas para o controle da doença, então a melhor opção é seguir as instruções de manejo e destruição das plantas doentes.