Resíduo de biodiesel pode compor ração de ruminantes

Pesquisa do Iapar comprova a possibilidade de substituição de até 10% da ração de milho na dieta de caprinos com o glicerol

Nivea Schunk
Nutrição Animal

Em tempos de preservação do meio ambiente e busca por novas fontes de energia, o crescimento natural do mercado de biocombustíveis gera uma quantidade cada vez maior de glicerol. No ano passado, uma pesquisa implementada pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) constatou que a substância pode ser utilizada para compor a ração à base de milho dos ruminantes.

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O pesquisador João Ari Hill, da Unidade Regional de Pesquisa do Sudoeste do Paraná, ressalta que é apenas uma questão de tempo até que a quantidade desse resíduo da produção de biodiesel, atualmente concentrado em atender à demanda da indústria de cosméticos, exceda largamente a capacidade atual de absorção do mercado.

— Hoje, o glicerol é comercializado a cerca de 30 centavos o quilo. Então, a partir do momento que o programa Biodiesel criar corpo, a tendência é que o preço diminua. Ao contrário do milho, que por ser utilizado para obtenção de álcool nos países ricos tende a ficar mais caro — revela o zootecnista.

No município de Pato Branco (PR), durante quatro meses foram observados grupos de caprinos com inclusão de 0%, 5%, 10% e 15% de glicerina na dieta. Apesar de ter havido um declínio de rendimento sem valor significativo, o experimento reiterou a possibilidade de substituição do milho em até 10%, assegurando o bom desempenho animal. Quanto à inserção de maiores doses, serão necessárias pesquisas mais específicas.

Glicerol pode ser
utilizado para
compor ração à
base de milho
dos ruminantes