Resistência a inseticidas

Ressurgências de pragas após as aplicações e efeitos prejudiciais à saúde humana, como resíduos nos alimentos, água e solo são alguns dos males causados pelo uso exagerado de inseticidas

Margareth Santos
Manejo

Entre as consequências nocivas que o uso exagerado de inseticidas químicos pode causar estão a mudança de “status” das pragas secundárias para primárias, ressurgências de pragas após as aplicações, efeitos prejudiciais à saúde humana, como resíduos nos alimentos, água e solo e, ainda, seleção de insetos e ácaros resistentes.

Em várias regiões produtoras do mundo, a resistência de insetos ou ácaros pragas nas culturas agrícolas tem se tornado frequente, inclusive nas mais diversas culturas. As consequências imediatas desta seleção de indivíduos resistentes a um determinado grupo químico levam, num primeiro momento, ao aumento das doses dos ingredientes ativos, seguida do aumento na frequência de aplicações e, por fim, à necessidade de substituição do produto, encarecendo os custos de produção.

A facilidade de utilização de determinada tecnologia para o controle de pragas se tornou tão frequente que outros métodos foram esquecidos ou ignorados. Por conta disso, toda comunidade produtora de uma região passa a lançar mão de uma única ferramenta que muitas vezes traz consequências indesejáveis devido ao uso exacerbado. A maciça utilização de insumos, na qual se baseia a agricultura moderna, faz com que muitos agricultores e técnicos não se preocupem ou desconheçam as consequências do emprego de produtos agrícolas.


O caso da lagarta-do-cartucho


A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é a praga que sofre as maiores pressões de seleção de indivíduos resistentes na cultura do milho. Isso se deve principalmente ao número de aplicações a qual é submetida ao longo da safra.

Em algumas regiões produtoras que cultivam o milho verão e safrinha – geralmente sob pivô –, ou seja, aquelas que pulverizam a praga praticamente o ano todo, outros grupos de inseticidas, como os inibidores da síntese de quitina, já mostram a necessidade do aumento do número de aplicações e de dosagens por hectare.

Dentre as ferramentas para evitar ou retardar o máximo possível a seleção de indivíduos resistentes de S. frugiperda, estão: a realização de aplicações nos estágios mais suscetíveis da praga (lagartas recém eclodidas), utilização de boa tecnologia de aplicação nos horários apropriados, conhecer se há casos de resistência na região e a quais grupos químicos estão relacionados, e rotacionar inseticidas com mecanismos de ação diferentes. Mais recentemente, tem-se observado tendências na necessidade de aumento de doses de alguns carbamatos. Observe a tabela.


Grupos químicos e mecanismos de ação dos principais ingredientes ativos registrados para o controle de pragas na cultura do milho. Fonte: Fundação MS, 2008 (INSERIR TABELA 14.7, PAG. 168, CAP. 14, DOC. TECNOLOGIA E PRODUÇÃO: SOJA E MILHO 2008/2009)