RJ é exemplo na produção rural sustentável

Tecnologia e assistência rural têm transformado pequenos agricultores em protagonistas da sustentabilidade

Aline Proença, Rio Rural
Manejo

A agricultura, antes vista como vilã na preservação do meio ambiente, se mostra hoje como um dos caminhos mais efetivos para a sustentabilidade. Boas práticas como produção de água, segurança alimentar e proteção do solo marcam a atuação de muitos produtores rurais do Rio de Janeiro, que vêm harmonizando produção de alimentos e proteção ambiental.

O protagonismo rural ganha força no contexto do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho. A agricultura familiar, sistema que predomina no estado e que se baseia na relação afetiva entre o produtor e os recursos naturais, tem especial valor para a adoção de técnicas mais sustentáveis. A transformação dos hábitos produtivos oferece benefícios para toda a sociedade, melhorando a qualidade de vida no campo e também nas cidades.

O Rio Rural, criado há 11 anos pela Secretaria Estadual de Agricultura, aposta na assistência técnica e em incentivos financeiros visando a transformar os pequenos agricultores em agentes efetivos da preservação ambienta no interior fluminense. Executado pela Emater-Rio, o Programa implementa técnicas modernas que aliam a conservação dos recursos naturais e a melhoria da produtividade. Os agricultores são atendidos por meio do sistema de microbacias hidrográficas.

“Eles são nossos principais aliados em busca da sustentabilidade. Mostramos que a agricultura sustentável é justa, do ponto de vista social e é economicamente viável. Trabalhamos para garantir às gerações futuras a capacidade de suprir as necessidades de produção com mais qualidade de vida”, ressalta o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo.

Pequenas propriedades, grandes transformações
O desenvolvimento sustentável nunca foi tão discutido como atualmemte. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a má qualidade do meio ambiente implica em 23% das mortes em todo o mundo. Por isso, projetos que promovem o equilíbrio ambiental têm ganhado importância em todo o mundo. Em 2015, o Rio Rural foi um dos programas em destaque na COP 21, a conferência internacional que mobiliza nações para discutir ações necessárias ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Também no ano passado o Rio Rural foi citado em relatório da ONU como experiência bem-sucedida na área de gestão de recursos hídricos e desenvolvimento sustentável. Essa expressão global só pode ser construída com a confiança e a adesão de cada agricultor à proposta de sustentabilidade promovida pelo Programa.

Esse é o caso de Clíneo Gonçalves, produtor de banana em Saquarema, na Região dos Lagos fluminense. Com incentivos do Rio Rural, ele implantou o sistema agroflorestal, um dos mais completos em termos de harmonia entre agricultura e meio ambiente. Clíneo adquiriu equipamentos e mudas para implantar as técnicas agroecológicas, consorciando os cultivos de banana e pupunha, que crescem em meio à floresta. Com isso, ele tem um produto a mais para garantir sua renda e ainda protege a mata nativa, responsável pelo equilíbrio do ecossistema local. “Eu não gosto de derrubar as árvores porque elas protegem o solo e as culturas”, ressalta o produtor.

O Rio Rural, que é financiado pelo Banco Mundial, já atende a 350 microbacias hidrográficas em todo o território fluminense, o que representa 48 mil famílias das zonas rurais. Até 2018, o Programa vai contabilizar US$ 233 milhões investidos em ações de desenvolvimento, em 72 municípios.

Produção de água
O Rio Rural vem contribuindo também na conservação dos recursos hídricos, aumentando a disponibilidade de água para a população fluminense. As ações de preservação das nascentes ganharam grande impulso com a campanha Água Limpa para o Rio Olímpico, lançada em 2010 com a meta de proteger 2.016 nascentes até as Olimpíadas.

O engajamento das comunidades rurais foi tão grande que objetivo foi alcançado um ano antes. Segundo dados da Superintendência de Desenvolvimento Sustentável, 3.120 nascentes foram protegidas em todo o estado, o que representa um volume de água de mais de quatro mil piscinas olímpicas cheias, por ano. A campanha também já mobilizou cerca de 1.500 famílias da zona rural em atividades de proteção hídrica.

“Quem preservou, conseguiu, aumentar a oferta de água em sua propriedade e minimizar os efeitos da forte estiagem que atingiu o Rio de Janeiro entre 2013 e 2014”, explica Herval Fernandes Lopes, gerente técnico estadual de Desenvolvimento Sustentável da Emater-Rio.

A campanha Água Limpa para o Rio Olímpico será um dos destaques da Feira Rio Rural, que acontecerá entre os dias 24 e 26 de junho, no Jockey Club da Gávea, na capital fluminense. A ideia é aproximar a população urbana da zona rural e ressaltar a importância da agricultura familiar para a sustentabilidade ambiental e social.