Safra de inverno: ações de transferência de tecnologia têm grande participação de produtores

Mais de 4 mil produtores, técnicos e estudantes compareceram este ano aos eventos de transferência de tecnologias em culturas de inverno

Edmilson Gonçales Liberal, Iapar
Manejo

Mais de 4 mil produtores, técnicos e estudantes compareceram este ano aos eventos de transferência de tecnologias em culturas de inverno promovidos pelos parceiros IAPAR, Embrapa e Fundação Meridional, conforme relatório recentemente finalizado pelas entidades.

Entre julho e novembro foram realizados 31 dias de campo em fazendas experimentais do IAPAR e Embrapa e em campos de demonstração de diversas cooperativas e empresas produtoras de sementes por todas as regiões tritícolas do Paraná. Implantação e manejo de lavouras, plantas invasoras, pragas e doenças, cultivares e qualidade tecnológica dos grãos foram os temas abordados nesses encontros técnicos.

O pesquisador Pedro Sentaro Shioga destaca o alto interesse dos participantes desses eventos nas cultivares IPR 144 e IPR Catuara. “Além das boas características agronômicas, são materiais que atendem à demanda do consumidor final de pães”, explica ele, lembrando que a primeira cultivar é um “trigo pão” e, a segunda, um “trigo melhorador”.

A cultivar IPR 144 tem ciclo precoce, de aproximadamente 113 dias, e potencial produtivo que pode chegar a 5 toneladas por hectare. É indicada para a produção de pão pela alta força de glúten, que ajuda na fermentação e favorece o crescimento da massa.

IPR Catuara TM, por sua vez, é um material de ampla adaptação e excelente desempenho agronômico, com resistência às principais doenças da cultura e elevada produtividade. Seu principal destaque, no entanto, é a qualidade de ser melhorador (o TM do nome significa “trigo melhorador”), significando que pode ser misturada com farinhas de menor qualidade para aumentar a qualidade geral da massa.

Triticale
O triticale tem alto potencial para uso na alimentação animal e pode ser uma boa opção para o plantio no Centro-Sul do Paraná, que não tem a alternativa de cultivar a segunda safra de milho, aponta Shioga.

Este fato ficou evidenciado este ano com a escassez do milho no mercado interno e o consequente aumento no preço. Isso encareceu o custo da ração e causou aumento na procura de triticale como substituto, exemplifica o pesquisador.

IPR Aimoré tem ciclo precoce, ampla adaptação – pode ser cultivada no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul – e potencial produtivo que pode superar 5 toneladas por hectare. Já a cultivar IPR 111 é um material de ciclo médio e com alto grau de rusticidade.

Além do uso na composição de rações para suínos e aves, os grãos de triticale podem ser destinados à fabricação de bolos, biscoitos, pizza, quibe e, adicionado à farinha de trigo, também na panificação.