Sanidade das mudas ainda é obstáculo para controle de viroses

Mudas sadias são a principal recomendação para evitar problema, mas não há quem produza o atestado de sanidade dos materiais

Juliana Royo
Sanidade Vegetal

As viroses do abacaxi podem afetar até 100% da produtividade da fruta, se não forem combatidas corretamente. Os vírus, transmitidos pela cochonilha, interferem nas rotas metabólicas da cultura, causando problemas de deficiência nutricional, síntese de clorofila, depreciando o acúmulo de açúcar na planta. Não há remédios ou qualquer tipo de controle curativo contra as viroses e, por isso, a prevenção é muito importante para os agricultores. Entre as recomendações, o uso de mudas sadias é a principal para que a doença não se instale desde o início na plantação. É muito importante que os produtores exijam o atestado de qualidade sanitária das mudas que estão sendo compradas, no entanto, não existe nenhum laboratório certificado pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento) que emita o documento, segundo o engenheiro agrônomo e fitopatologista Eduardo Chumbinho de Andrade, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.

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— Normalmente, como o abacaxi é reproduzido vegetativamente, a planta já entra no campo contaminada. Dependendo da incidência do vírus e do ataque dos insetos vetores, a perda pode chegar a 100%. O laboratório que faz a micropropagação das mudas in vitro pode fazer um teste e comprovar que o lote de mudas está isento de vírus. Mas no Brasil isto não é exigido ainda. Não existe nenhum laboratório que faça esta indexação para abacaxi e a nosa ideia é credenciar um laboratório de virologia para fazer este trabalho, aqui na Embrapa. Muitas vezes também os produtores não têm condições de adquirir estas mudas sadias que, normalmente, são mais caras — explica Andrade.

A ideia dos pesquisadores da Embrapa é criar um laboratório que seria um prestador de serviços aos agricultores. O produtor solicitaria que a indexação e enviaria o material para o laboratório, onde seriam realizados os testes dizendo se a fruta tem ou não a presença de vírus. Seria emitido um laudo atestando a presença ou ausência do vírus, que poderia ser exigido pelos produtores na compra das mudas. Porém, mesmo com a compra de materiais sadios, Andrade lembra que é preciso cuidar da plantação utilizando o manejo correto e fazendo o controle de insetos vetores, para reduzir a incidência das viroses.

— Não adianta apenas introduzir os materiais sadios, se você tem uma fonte de inócuo alternativo, plantas velhas que sejam contaminadas, o vírus pode ser transferido e contaminar as mudas sadias. O material tem que manter sempre o terreno limpo, livre de materiais antigos, eliminando estes materiais, queimando, de preferência. E fazer o controle químico do inseto quando observar que a incidência está grande — diz o pesquisador.