Seca ainda não indica quebra severa nas lavouras no Sul

Estiagem prolongada na fase final da colheita põe produtores em alerta. Região depende de chuvas regulares para enchimento dos grãos de soja e rendimento do milho, que teve recuo de 10,8% na área de cultivo

Centro de Comunicação
Agronegócio

Na fase final do ciclo, o clima é a principal ameaça à produtividade das lavouras de soja e milho dos três estados Sul, que passam por chuvas escassas e com volumes abaixo da média para a época. Para avaliar o impacto das estiagem sobre as lavouras, há duas semanas a Expedição Safra percorre a região e apurou que ainda não há quebra severa em nenhuma região produtora de grãos por falta de água.

Pelo contrário, os técnicos e jornalistas do projeto encontraram campos com vigor, que resistem a até três semanas de sol forte, no segundo veranico da safra. Mas a estiagem prolongada colocou os produtores em alerta e as previsões de quebra se tornaram comuns, contando com falta de chuva nos próximos dias.

Avaliações de peso, como as do secretário da Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, e da Coamo (cooperativa paranaense que recebe 5% da safra nacional de soja), Aroldo Gallassini, dão gravidade ao quadro. Eles consideram que o potencial das lavouras foi afetado e que as marcas, em queda dia após dia, terão de ser revisadas.

“Mesmo com a estiagem em dezembro e janeiro, as lavouras de soja tem mantido a produtividade. E caso as chuvas ocorram nas próximas semanas serão estabelecidas boas condições para uma safra excepcional”, avalia a economista e analista da INTL FCStone Natália Orlovicin, que acompanha o roteiro da Região Sul.

No Paraná, as chuvas continuam sendo determinantes para cerca de 40% das lavouras que estão na fase de florescimento ou frutificação. As regiões Sul, Sudoeste, Centro e os Campos Gerais devem garantir a produtividade com ao menos uma chuva, segundo o agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Departamento de Economia Rural (Deral), que também participa da Expedição.

Já em Santa Catarina, os dois polos de produção de sementes, no oeste e centro do estado, enfrentam escassez de chuva. Com duas ocorrências pouco volumosas em 15 dias, a região central leva vantagem, mas ainda depende de um mês e meio de clima normal. A previsão é que haverá precipitações abaixo do normal e isoladas nas próximas duas semanas e há risco de a soja passar perto de um mês sem água em pleno período de enchimento de grãos.

O mesmo cenário é enfrentado no Rio Grande do Sul, que também precisa da chuva para garantir a produtividade das lavouras de soja. Em relação ao milho, o governo gaúcho tenta evitar recuo maior no plantio, que foi reduzido a 1 milhão de hectares, a menor área em mais de 30 anos. No lançamento da colheita, produtores pediram mais empenho do poder público para instalar irrigação e elevar a produtividade dos milharais.