Sementes de pequizeiro em propagação

Experimentos in vitro preveem o melhoramento genético de espécie para regiões do Cerrado

Breno Fonseca
Sementes e Mudas

Para difundir a cultura do pequi, fruto de importância no bioma Cerrado, o projeto “Desenvolvimento de métodos de propagação in vitro de pequizeiro como alternativa tecnológica para produção de mudas” visa o uso de ferramentas biotecnológicas para o melhoramento genético das sementes da espécie. O responsável pelo trabalho, iniciado em 1° de outubro deste ano, é o pesquisador Sebastião Pedro da Silva Neto, da Embrapa Cerrados.

Os experimentos serão realizados nos laboratórios de biologia celular e cultura de tecidos da Embrapa. As metodologias utilizadas são a germinação in vitro, a organogênese e a embriogênese somática. O primeiro método objetiva fomentar uma germinação mais rápida e eficiente, preservando a diversidade genética da espécie. Já a organogênese é uma técnica de clonagem, que usa tecidos da planta para a regeneração das sementes a partir de características agronômicas desejáveis. Sebastião Neto explica que a clonagem permite o melhoramento genético com a cópia perfeita da matriz. A terceira etapa do processo, a embriogênese, também permite o ganho genético através da clonagem, com a multiplicação do embrião somático. O pesquisador informa que esta é uma pesquisa mais complexa e refinada e os próximos dois anos serão de conhecimento da técnica.

— Como essa propagação via semente tem uma eficiência muito baixa e o pequizeiro é uma espécie importante e será pesquisada para alimentos, para matéria-prima de fármacos e biocombustíveis, o melhoramento genético necessita de ferramentas mais eficientes para propagação dessa espécie. Foi essa a razão principal para o projeto ser realizado — ressalta Sebastião.

Os resultados serão mostrados em 2011 e Sebastião Neto já prevê a diminuição nos custos do plantio dos pequizeiros, através de mudas de boa qualidade genética e fitossanitária. Mais uma forma de aumentar a renda nas regiões de Cerrado.

— Com isso, os agricultores podem agregar mais um variedade na gama de itens que o processo produtivo disponibiliza no Brasil atualmente — conclui.