Integrando cinco unidades da Embrapa, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Associação Sul-Brasileira de Fomento à Pesquisa de Forrageiras (Sulpasto), a pesquisa “Melhoramento genético de forrageiras para o sul do Brasil” prevê o desenvolvimento de cultivares de 11 espécies forrageiras utilizadas no sul do Brasil. O objetivo é disponibilizar variedades selecionadas e adaptadas ao clima temperado da região e fomentar o mercado de sementes forrageiras, que, de acordo com o pesquisador Daniel Montardo, da Embrapa Pecuária Sul, ainda está desarticulado.
Daniel explica que a produção dessas cultivares acaba sendo um pouco mais cara do que a de uma semente não fiscalizada. Desta forma, os produtores acabam optando por soluções de baixo custo, o que inibe os programas de melhoramento de forrageiras. Foi por conta disso que a pesquisa teve início. Das 11 categorias analisadas, nove são de clima temperado, característico da região sul, e duas, de verão. A escolha de espécies, como a gramínea capim sudão e as leguminosas ervilhaca e milhota, veio a partir da demanda dos próprios produtores.
A metodologia da pesquisa foi determinada pelo Ministério da Agricultura. Foi feita uma coleta de materiais, a introdução de germoplasmas nas sementes, um processo de avaliação de todas as cultivares disponíveis, a seleção das mais adaptadas e o teste em várias localidades, seguindo a mesma metodologia de análise. O experimento é realizado em parcelas pequenas, sempre comparando com espécies testemunhas. Por possuir um ambiente temperado próximo ao Rio Grande do Sul e trabalhos avançados na área, algumas cultivares vieram do Uruguai.
Daniel Montardo explica que, de forma geral, todos os materiais que foram lançados são, no mínimo, tão produtivos quanto as testemunhas e ainda têm a característica da longevidade. Para leguminosas, perenes ou bianuais, uma das características procuradas é a maior persistência, ou seja, a capacidade de atravessar as estações do ano sem deixar de contribuir para a produção de forragens. Já as gramíneas de verão (milheto e capim sudão) também apresentaram alta geração de matéria seca e capacidade de rebrota.
— Esse trabalho integrado está no caminho certo para disponibilizar aos produtores cultivares um ganho com melhor produtividade e segurança – finaliza.