Seminário Goiás MAISLEITE discute assistência técnica e mercado

O evento tem por objetivo apresentar informações e podem influenciar na tomada de decisão sobre a cadeia

Assessoria Imprensa Faeg
Artigos

Um público diferenciado composto por cerca de 500 pessoas, entre técnicos, produtores e empresários participaram da primeira fase do seminário Goiás Mais Leite: Assistência Técnica e Informações de Mercado a Serviço da Produtividade, promovido pelo Sistema Faeg/Senar. O evento tem por objetivo apresentar informações e podem influenciar na tomada de decisão sobre a cadeia.

O presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, fez a abertura do evento e destacou que o seminário deste ano é resultado das análises feitas a partir do Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Leite de Goiás. Ele explicou que um dos principais problemas apontados pelos produtores é a falta de assistência técnica. ‘Trata-se de um serviço essencial para o desenvolvimento da atividade. “Deveriam ser criadas políticas públicas e privadas que colocasse a assistência técnica com serviços essenciais assim como saúde e educação, mas de forma que atenda a todos os produtores”, completa.

O diagnóstico também mostrou que falta informação para o produtor e que esta chega através da televisão e dos vizinhos. Segundo o Censo do IBGE publicado em 2006, mostra que das cinco milhões de propriedades brasileiras apenas um milhão é produtiva. Segundo o diagnóstico, apenas 70% dos produtores goianos produzem até 200 litros/dia. Dos 30% restante, uma grande parcela produz 50 litros/dia, o que garante uma renda mensal de até R$ 285. Essa baixa rentabilidade tem desanimado os filhos dos produtores a continuar na atividade. Cerca 58% não vão seguir a atividade dos pais.

Mercado do leite

O coordenador dos Programas Especiais do Sistema Faeg/Senar, Marcelo Martins, apresentou o programa Mercado Leite – Gestão de custos e riscos na pecuária de leite. O curso será voltado para produtores que querem se aperfeiçoar na atividade e aprender a gerenciar a propriedade de forma que ele dê rentabilidade. O curso será composto por dois módulos com duração de 16 horas cada um. No curso, o produtor terá noções sobre análise de mercado, custos de produção, fará análise de rentabilidade e técnicas de negociação. O programa terá como material de apoio livro, apostila, uma planilha de cálculo para o custo de produção e outros. O curso terá no máximo 15 participantes por turma e deverá ser solicitado via sindicato.

O primeiro palestrante do dia foi o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim.  Ele fez um relato de como a atividade sobreviveu a grave crise financeira internacional iniciada no final de 2008. Durante a sua fala, Alvim explicou o setor se recuperou pelo fato do Brasil não ter sido tão atingido pela crise e pelo fato de uma parcela da população ter sido beneficiada por programas sociais. Esse último fato gerou um crescimento da demanda de alguns produtos como iogurte, leite longa vida e achocolatado.

No primeiro semestre de 2010, o mercado de leite brasileiro teve melhora de preços, houve uma elevação antecipada do preço para o produtor, melhora na relação de troca e crescimento da economia nacional. Porém, o preço médio nacional do litro de leite para o produtor é R$ 0,72 e o produtor precisa dos recursos da venda de 26 litros de leite para comprar um saco de milho.

Em Goiás, a média de preço para o produtor é de R$ 0,64 e são necessários 22 litros para comprar um saco de milho. Se os preços para o produtor tiveram alta, os preços no varejo foram às alturas. Para este semestre as perspectivas são de preço baixo, expectativa de crescimento mundial do PIB em até 3%, queda de produção na Austrália devido à seca, baixos estoques de leite na Oceania, crise de crédito na União Européia e aumento de produção na Nova Zelândia. “São inúmeras variáveis que estão fora da fazenda que impactam na renda e na atividade dentro da propriedade”, ressalta Alvim.

Para finalizar a palestra, Alvim alertou para a necessidade do setor de organizar em associações e cooperativas, para formar preços e negociar com a indústria. Ele ressaltou que os países maiores produtores de leite no mundo a maior parte dos produtores é membro de cooperativas e associações.

 

Extensão rural 

A necessidade por assistência técnica no campo é uma das demandas do produtor de leite. Por meio do Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Leite no Estado de Goiás, lançada em 2009, foi constatada que a falta de assistência técnica especializada é um fator preocupante para o segmento. Dos 500 pecuaristas entrevistados no período, 51,8% não haviam sido visitados por técnico e apenas 23,3% receberam de uma a duas visitas por ano. Isso significa que 75% dos produtores entrevistados não receberam assistência técnica de acordo com suas necessidades. A única fonte de informação para 30% dos entrevistados é a televisão e a maior demanda, normalmente, é por orientações gerenciais. 

Por esta razão, o Seminário GOIÁS MAISLEITE, levou aos produtores presentes mais informações sobre como gerir sua propriedade rural e buscar mais conhecimento sobre a área que atua. Durante a palestra “Importância da Assistência Técnica para o Produtor de Leite”, o pesquisador e coordenador do Programa Balde Cheio, da Embrapa Sudeste, Artur Chinelato, comentou que a extensão rural é de fundamental importância para o segmento. Por meio do Programa, pequenos produtores rurais de várias regiões do Brasil recebem orientações de gestão e planejamento da propriedade rural.

 Para atender a demanda do pecuarista por assistência técnica, o programa, que será implementado em todo o Estado de Goiás, em parceria com o Sistema Faeg/Senar, objetiva desenvolver a pecuária leiteira, mediante o processo de transferência de tecnologias disponíveis para extensionistas de entidades públicas ou privadas, bem como para produtores de leite. Nesse processo, aplica-se uma metodologia em que propriedades leiteiras de cunho familiar são utilizadas como “sala de aula prática”. Essas propriedades familiares servem de exemplo para demonstrar a sua viabilidade técnica e econômica. 

Artur Chinelato explicou no evento como é a implantação do Programa Balde Cheio no Brasil e comentou que cada produtor de leite enfrenta a sua própria realidade, e, em razão disto, é necessário utilizar diferentes estratégias para atingir o mesmo objetivo que é a rentabilidade do pecuarista. “Queremos formar o produtor de leite e não apenas informar. Por isto não damos nada a ninguém, apenas conhecimento, por isso a importância da extensão da