Agricultores e técnicos da Emater/RS-Ascar de dez municípios da região Central (Cacequi, Jaguari, Jari, Júlio de Castilhos, Mata, São Francisco de Assis, São Vicente do Sul, Toropi e Tupanciretã) reúnem-se nesta quinta-feira (25/10), no campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFF), em São Vicente do Sul, para o Seminário Microrregional de Resgates da Cultura Alimentar, relatando ações deste tema nas comunidades rurais.
A iniciativa resulta do Projeto de Pesquisa e Extensão Resgate da Cultura Alimentar, desenvolvido entre Emater/RS-Ascar e IFF. O evento também integra a programação alusiva ao Dia Mundial da Alimentação, comemorada no dia 16 de outubro.
O Seminário se inicia às 12h30min com almoço à base de alimentos provenientes dos resgates municipais. Às 13h40min, o supervisor do escritório regional da Emater/RS-Ascar, engenheiro agrônomo Francisco Antônio Palermo, relata o levantamento das várias atividades realizadas nas comunidades rurais. Em seguida, às 14h, a professora do IFF Franciele Cagliari palestra sobre os saberes e fazeres saudáveis e, às 15h15min, a gerente técnica adjunta da Emater/RS-Ascar, nutricionista Regina Miranda, fala sobre a mulher, a soberania e a segurança alimentar.
O seminário se encerra às 16h45min, após espaço para debate sobre a segurança alimentar e nutricional sustentável.
Projeto de Pesquisa e Extensão Resgate da Cultura Alimentar
O Projeto, elaborado entre Emater/RS-Ascar e IFF, contextualiza a importância do resgate das culturas alimentares das comunidades rurais como forma de promoção da soberania e segurança alimentar.
“Qualidade alimentar, resgate da identidade cultural, promoção da diversificação e sustentabilidade na agricultura familiar são algumas das justificativas para a sua execução”, explica Palermo.
“Dentro do projeto foram previstas várias ações junto às comunidades para resgatar os alimentos que produziam e preparavam em tempos mais remotos e também resgatar um pouco da história das comunidades e das famílias”, complementa.
De acordo com Palermo, o trabalho não foi homogêneo em todas as regiões. ”Inicialmente, as extensionistas fizeram algumas visitas, geralmente aos moradores mais velhos da comunidade. Depois, foi organizada uma reunião para discutir a proposta e partir logo para a ação”, conta Palermo.
Após os primeiros contatos, veio a etapa de preparação das receitas culinárias resgatadas. “Cada família trouxe um prato e fazia um relato sobre a receita. Mas não era somente falar sobre ele, mas contar a história das famílias também; juntos construíram arvores genealógicas de cada família”, diz o supervisor da Emater/RS-Ascar.
O trabalho quer identificar a cultura alimentar de cada comunidade, além de “valorizar a produção e o autoconsumo dos alimentos e dialogar com a questão da soberania e segurança alimentar”, afirma Palermo.
Resgate de Jaguari
Para Palermo, há receitas muito interessantes, como as de uma comunidade de origem alemã, de Jaguari. “Uma senhora de 80 anos levou um pastel assado com recheio de coalhada; achei uma delicia esta receita. A história é muito interessante, pois a mãe dela já fazia esse prato e ela continuou fazendo em sua própria casa. A receita do pastel aproveitava o leite talhado que tinha em casa, já que, na época, não havia refrigeração e isso acontecia frequentemente”, conta ele.