A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) mensurou a capacidade da seringueira de reduzir a presença de dióxido de carbono nas condições atmosféricas da Zona da Mata. De acordo com o pesquisador Antônio de Pádua Alvarenga, o gás está entre os principais responsáveis pelo efeito estufa no planeta e apresenta uma preocupante taxa de crescimento de aproximadamente 5% ao ano.
![]() |
"O replantio da cultura |
Com base na publicação de pesquisadores indianos, que apontou o potencial de captação da espécie como igual ou superior ao das florestas nativas, os experimentos foram conduzidos no município mineiro de Oratórios, com o intuito de ratificar a experiência no Brasil.
— Considerando uma produtividade de 1.700 quilos de borracha seca por hectare ao ano, nós destrinchamos nove árvores adultas separando a parte aérea, troncos e raízes. Pesamos um determinado volume de material, retirando amostras para constatar o teor de carbono em laboratório. O trabalho também aferiu o índice encontrado no látex extraído — explica Alvarenga.
O ensaio brasileiro reiterou os resultados obtidos na Ásia. Além dos seringais serem polos transformadores do gás nocivo em biomassa, a cultura tem forte vocação econômica. A recomendação de plantio por parte da Epamig se baseia também na grande carência de matéria-prima para produção de borracha natural que o país enfrenta.
— Atualmente, o mercado nacional importa grande parte do produto. O replantio da cultura para reduzir esse déficit triplicaria o número de postos de trabalho no meio rural e criaria cerca de dois milhões e meio de empregos indiretos — revela o pesquisador.
