A presença de metais pesados no solo é um grave problema ambiental e de saúde, tanto para animais quanto para os humanos. Com o plantio em áreas contaminadas, os elementos tóxicos são transferidos para toda a planta atingindo inclusive os frutos e podem causar desde alergias até a morte. O silício é um mineral que pode combater com eficiência este problema porque, ao reagir com os metais, ele acumula os tóxicos na raiz impedindo que eles sejam transportados para o resto da planta e evitando a contaminação. O V Simpósio Brasileiro sobre Silício na Agricultura, que acontece em Viçosa, Minas Gerais, começa hoje e vai até quarta-feira. Um dos palestrantes é o engenheiro agrônomo Clístenes Williams Araújo Nascimento, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, que vai explicar os benefícios do uso do silício em áreas contaminadas.
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— Temos usado o silício numa técnica que nós chamamos de fitoextração, para extrair metais do solo fazendo a descontaminação. Quando a gente adiciona silício nestes solos, a gente tem uma maior capacidade de plantas de milho, por exemplo, de retirar estes metais de solo e retirarmos a parte da planta que está contamina com o metal. O resultado é muito eficaz especialmente nas gramíneas porque elas têm uma grande capacidade de acumular silício, mais do que as leguminosas. A cana-de-açúcar, o milho e arroz absorvem silício em maior quantidade e têm mais este efeito de tolerância a metais pesados — exemplifica.
Clístenes explica que o tempo de descontaminação de uma área agrícola depende da quantidade de concentração de metais pesados que ela acumula, mas leva de 2 a 3 anos, em média. Ele diz que o tempo pode parecer longo para alguns agricultores que não querem ter seu cultivo poluído, mas explica que este método, chamado de fitoextração, é muito mais barato e correto com o meio ambiente do que outras metodologias. O especialista diz que, em média, gasta-se cerca de US$ 30 mil a US$ 60 mil com uma fitoextração eficiente, enquanto com a técnica de escavazação, por exemplo, se gastaria 10 vezes este valor para ter a descontaminação mais rápida da área. A tecnologia verde, com a aplicação do silício, funciona, é econômica e reduz os riscos à saúde, segundo o professor.