Avaliar os benefícios da utilização do silício no plantio de hortaliças é o propósito de uma pesquisa das Universidades Federais de Lavras (UFLA) e Uberlândia (UFU). Com base nas propriedades fitossanitárias e produtivas do elemento, a aplicação de pequenas doses de silicato de potássio solúvel via foliar e fertirrigação tem obtido muito sucesso.
Manipulado sob cultivo protegido em outros países, o componente atóxico vem sendo adaptado aos equipamentos pulverizantes usualmente manipulados pelos produtores. Além de ser vocacionada para manejo integrado de pragas e doenças, já se sabe que a técnica potencializa a ação de insumos químicos.
— Trata-se de um produto limpo que, na dose adequada, atende à demanda ecologicamente correta do mercado — define Felipe Campos, pesquisador do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSMG)
Implantados em municípios de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, os experimentos estão surpreendendo positivamente. Os testes com morangueiros conduzidos em estufas obtiveram cerca de 96% de acréscimo na produtividade em relação aos frutos não tratados. Já para os morangos observados em casa de vegetação o aumento foi de 70%.
— Na cultura do tomate o incremento ficou em 18%, com 475 caixas por mil pés. E as cenouras atingiram um acréscimo de aproximadamente 5,8 toneladas por hectare — diz ele.
Com relação às batatas, os ganhos qualitativos também foram muito satisfatórios. A melhoria de postura das plantas aumenta a captação de energia solar para realização de fotossíntese. Sendo assim, a garantia do nível de sanidade até o final do ciclo evita a reinfestação de doenças oriundas do solo.
— Mesmo sendo sintetizado industrialmente, o silício solúvel é economicamente viável e a técnica representa uma alternativa sustentável — conclui o pesquisador.