O plantio de algodão no sistema agroecológico no Semiárido, implantado em 2007, está rendendo ótimos resultados aos produtores da região que já utilizam a nova técnica. Além de prezar por práticas ambientais, o cultivo beneficia o bolso do agricultor. Como o sistema não utiliza agroquímicos e fertilizantes comerciais, que são insumos caros, e usa o plantio em consórcio com outras culturas, a rentabilidade do produtor chega a dobrar em relação ao cultivo de algodão tradicional. Segundo o pesquisador Melchior Silva, da Embrapa Algodão, o lucro dobra por dois motivos: porque há diversificação da produção e porque o algodão orgânico tem um preço melhor no mercado.
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— O sistema consiste no plantio em consórcios agroecológicos, utilizando-se o algodão em associação com as culturas de milho, feijão, gergelim, amendoim, e o trabalho com o uso de biofertilizantes, adubação orgânica e a isenção do uso de agrotóxicos. O cultivo do algodão agroecológico possibilita um preço prêmio, pois será inserido no mercado orgânico e, com isso, o agricultor vai poder vender por um preço maior. Aqui na região do Semiárido, tem agricultor vendendo até 100% acima do preço do algodão convencional. Há diminuição também nos custos de produção, porque ele deixa de usar insumos caros como agrotóxicos e fertilizantes comerciais — explica o pesquisador.
A adubação é feita com biofertilizantes encontrados na própria fazenda, na proporção de 20 toneladas de esterco por hectare. O resultado é uma produtividade média de dois mil quilos de algodão por hectare em sistema orgânico e de sequeiro. Em consórcio com outras culturas o algodão rende mil quilos por hectare e o produtor ainda tem a plantação de outras culturas. As pesquisas da Embrapa Algodão, agora, estão desenvolvendo variedades mais resistentes a pragas, principalmente o bicudo, e uma cultivar de algodão colorido de fibra mais clara.
— Estamos trabalhando com a oitagã, mas a auroeira e seridoça também são variedades promissoras. A gente tem usado a metodologia de percepção participativa, ou seja, ao invés de somente os pesquisadores indicarem os tratamentos e as melhores variedades, os agricultores mesmo é que dizem o que está dando certo. Eles opinam, dão notas, e isso fica muito mais fácil para a pesquisa e para a extensão e os resultados ficam mais condizentes com a realidade do agricultor — comemora.
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