Os avicultores brasileiros têm motivos de sobra para se orgulharem. Fazem parte da melhor avicultora do mundo, são os líderes em exportação, os terceiros maiores produtores mundiais e estão em quinto lugar na pauta de exportações brasileira, contribuindo para o desenvolvimento do país. O sistema brasileiro dá certo por suas peculiaridades, principalmente pela integração vertical que ocorre na produção com poucos produtores independentes e eleva a qualidade avícola.
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O diretor de produção da UBABEF (União Brasileira de Avicultura), Ariel Mendes, falou sobre a alta qualidade da produção e da liderança do Brasil na exportação de frangos durante a palestra que ministrou no Seminário Latino Americano de Abate e Processamento de Frangos de Corte. O evento aconteceu na cidade de Maringá, no Paraná, entre os dias 29 e 31 de março, e discutiu temas importantes para a avicultura.
— O nosso sistema de integração vertical permitiu que se agregasse tecnologia à produção porque são empresas de porte médio e grande onde o integrado, que tem de um a três galpões, recebe da grande empresa medicamentos, vacinação, pintinhos, ração e assistência técnica. Diferente de países na Europa onde existem ainda muitos produtores independentes e fica mais difícil de competir na questão da qualidade — explica Mendes.
O diretor da UBABEF ressaltou que apesar das empresas terem muita responsabilidade neste processo, os produtores também têm um papel fundamental, principalmente na questão do manejo e cuidados sanitários no galpões. Justamente pelo Brasil ser um grande exportador e atingir mercados exigentes, é preciso que os produtores cumpram as normas internacionais e busquem a alta qualidade na produção.
A UBABEF tem um protocolo de boas práticas na produção avícola que orienta quanto ao bem-estar animal, questões de higiene e cuidados de manejo. Mendes diz que é muito importante que o produtor esteja atento aos cuidados com a carcaça do frango, evitando que ela tenha arranhões porque isto deprecia o frango e impede que ele seja vendido como inteiro. Para isso é fundamental evitar o estresse das aves, para que eles não se amontoem, e evitar a presença de pessoas estranhas e outros tipos de animais.
— O Brasil exporta todas as partes do frango. Exportamos filé de peito para a Europa, frango inteiro pequeno (de 900g a 1,2kg) pro Oriente Médio, cortes à base de filé de coxa e sobrecoxa para o Japão e pra China exportamos patas e pés. É uma exportação completa ao contrário dos Estados Unidos que exportam apenas coxa e sobrecoxa, que pra eles é um subproduto — ressalta.
Como tudo é aproveitado na exportação, o cuidado deve ser redobrado e até o manejo com a cama de frango se torna importante. Isto porque a China é grande consumidora da pata e pé das aves e o manejo inadequado da cama de frango pode levar ao aparecimento do calo de peito que é uma pequena lesão na pata.

Sanidade
Outra questão muito importante é a sanidade das aves. Mendes explica que as principais preocupações do mercado internacional são a Influenza Aviária e a doença de New Castle, mas o Brasil é livre da influenza e não tem tido casos da doença de New Castle em plantéis comerciais, segundo o especialista. Uma grande exigência do mercado é que o frango seja salmonela zero, livre da doença, que é o caso brasileiro. De qualquer forma, é fundamental que o produtor não se descuide e use telas de proteção à passarinhos, faça a desinfecção de veículos que entram na granja e evitar a presença de ratos e visitas no galpão.
— Temos muitas pequenas e médias empresas entrando no mercado de exportação. O Brasil é um grande produtor, nós produzimos 12,3 milhões de toneladas em 2010. Nosso consumo é alto, são 44 quilos por habitante ao ano, mas o mercado externo é uma boa opção ao produtor. Exportamos ano passado 3,8 milhões de toneladas de frango e isso gerou uma receita de US$ 6,9 bilhões. Os nossos principais mercados são o Oriente Médio, Ásia (principalmente Japão e Cina) e Europa. Na América Latina, principalmente Venezuela e Chile — destaca Mendes.
Os interessados em mais informações sobre os cuidados necessários para produção de frango para exportação devem entrar em contato com a UBABEF pelo telefone (11) 3031-4115.