Sistema de irrigação viabiliza cafeicultura no Semiárido

Resultados preliminares com o café irrigado indicaram condições ideais para o cultivo

Margareth Santos
Irrigação

A viabilidade técnica e econômica do plantio de café em áreas irrigadas do Vale do Submédio São Francisco é tema de pesquisa da Embrapa Semi-Árido. O objetivo é avaliar os trabalhos com a cafeicultura no Semiárido, tanto com as espécies arábicas quanto com as conilon, nas altitudes diferenciadas do local, que possibilitam a cultura com diferentes cultivares.

— A pesquisa consiste em estudar o café nas condições do Semiárido, com os fatores limitantes à chuva, adotando o sistema de irrigação, sobretudo a irrigação localizada, cujo uso é mais eficiente em relação a outros sistemas — esclarece o pesquisador responsável, José Maria Pinto.

Os resultados
preliminares têm
indicado condições
ideais para
a cafeicultura

A intenção é entender como a cultura do café se comporta na situação de alta temperatura com baixa umidade relativa do ar e, para tal, aplica-se o sistema de irrigação de agriculturas perenes, já utilizado na fruticultura.

— Para o cultivo desse café, são usadas as orientações das regiões produtoras e o único procedimento diferente é a irrigação. Já existem regiões que irrigam o café, mas o que é realmente diferente aqui são as condições do clima, com temperaturas um pouco mais altas e umidade relativa do ar mais baixa — destaca o pesquisador.

Os resultados preliminares têm indicado condições ideais para a cafeicultura. No caso do café arábica, a terceira colheita chegou a produzir 120 sacas por hectare, com qualidade razoável, de acordo com o pesquisador. A média nacional está em torno de 60 sacas por hectare.

— Devido às situações de temperaturas mais altas, as plantas se desenvolvem mais e têm maior número de horas de sol por ano, trabalhando em seu máximo — explica José Maria Pinto.

O experimento está em fase de testes no município de Jaguarari (BA), com duas variedades (catuaí vermelho e cauã). O projeto vai se expandir para novas pesquisas com vinte variedades do café arábica e três do conilon, pelos próximos anos até a produção estabilizar. A pesquisa tem o apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Café (CBPDE).