Sistema de recuperação de pastagem é implantado na região da Alta Paulista

Além de incentivar a Integração Lavoura-Pecuária, o estudo promove o rejuvenescimento da pastagem sem movimentar o solo

Aline Jesus
Pastagem

A região da Alta Paulista abrange cidades do interior de São Paulo como Lins, Marília e São José do Rio Preto e responde por uma área de produção de 7 milhões de hectares. Considerada uma região de solos arenosos e topografia ondulada, no passado foi uma área produtora de amendoim e café. Ao longo dos anos, as pastagens tornaram-se degradadas. Pensando nisso, a Embrapa Arroz e Feijão realizou o projeto “Sistema Vacaria com Dessecação Parcial”, conduzido durante cinco anos na fazenda Vacaria, em Marília. O objetivo era rejuvenescer pastagens através do Sistema do Plantio Direto.

João Kluthcovski, um dos pesquisadores responsáveis, diz que o experimento também pretende implantar a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) na região, embora esse sistema exija o revolvimento de solo em alguns momentos. Ele explica que o sistema consiste na recuperação de pastagem sem a necessidade de movimentação de solo por meio do Plantio Direto, com uso de equipamentos simples, a exemplo de uma plantadeira de cinco linhas que pode ter os bicos de pulverização e o tanque adaptados para o uso de herbicidas, auxiliando a dessecação de 30% da área na linha de plantio.

Segundo Kluthcovski, a metodologia utilizada na pesquisa foi fazer a pastagem com guandu de 90 em 90 centímetros, dessecando apenas 30 centímetros na fileira seguinte. Em seguida são plantadas leguminosas, forrageiras para os animais ou silagem para a produção de grãos. Dessa forma, o pasto que não foi morto rejuvenescerá em razão dos fertilizantes que foram colocados nas fileiras de semeio. Vale lembrar que nestas fileiras também são colocadas, por exemplo, sementes de Brachiaria, sempre respeitando a espécie que prevalece na área.

— Estamos aperfeiçoando cada vez mais o sistema para semear o sorgo e o milho. Colhemos a soja durante dois anos, no entanto a boa semeadura não foi possível em razão da dificuldade de distribuição de chuvas. Sabemos que é um sistema viável, afinal o calcário não é incorporado, ficando na superfície para a incorporação com o tempo. O custo é mais barato, em torno de 60%, do que fazer lavoura com movimentação de solo — afirma.

O pesquisador se mostra otimista ao comentar que o sistema permite recuperar o pasto velho e incluir indivíduos novos no sistema, o que vai permitir maior produtividade. Ele alerta que as pastagens são como as culturas perenes e que cansam ao longo do tempo, ou seja, ficam fatigadas. Mesmo que seja realizada adubação, elas não produzirão como uma planta jovem. 

Nos resultados, o guandu se desenvolveu perfeitamente. Já para o milho e o sorgo, será necessário aumentar o nível de nitrogênio, colocando-os bem mais cedo, ou seja, assim que a planta nascer deve-se realizar o adubo nitrogenado por cobertura. Kluthcovski garante que o sistema vacaria é uma grande vantagem também para o pecuarista que terá benefícios na pastagem ao fazer silagem, ao introduzir um leguminosa no sistema, além da vantagem de  triplicar a taxa de lotação e a importação dos animais.

— O grande campeão do futuro será o produtor que faz lavoura e pecuária simultaneamente. O documento oficial para aplicação dessa tecnologia será lançado em abril de 2010 — finaliza.