Sistema de saneamento básico integra projeto em defesa das Cabeceiras do Pantanal

Área é responsável por 1/3 da produção de água que abastece todo o Pantanal e é conhecida como a caixa d'água da região por abrigar as nascentes do rio Paraguai e de seus afluentes

Embrapa Instrumentação
Agricultura Sustentável

O sistema de saneamento básico para a área rural desenvolvido pela Embrapa vai beneficiar 25 municípios da região de abrangência das Cabeceiras do Pantanal com a instalação de 40 unidades da Fossa Séptica Biodigestora. Para isso, técnicos da WWF – organização não governamental de conservação da natureza – e do Instituto Pantanal-Amazônia de Conservação (Ipac), estão na Embrapa Instrumentação (São Carlos – SP), recebendo treinamento sobre as tecnologias que compõem o sistema de tratamento de esgoto rural.

Além desses técnicos, participam ainda representantes da construtora Azevedo e Travassos Engenharia Ltda, que desenvolve projeto de compensação ambiental na região de Paraibuna (SP) e onde pretendem instalar sistema de saneamento básico rural.

O mini-curso envolve palestras e visita ao Sítio São João, onde todas as tecnologias do sistema de saneamento básico rural – Fossa Séptica Biodigestora, Clorador Embrapa e Jardim Filtrante – estão instaladas.

A área das Cabeceiras é responsável por 1/3 da produção de água que abastece todo o Pantanal e é conhecida como a caixa d'água da região por abrigar as nascentes do rio Paraguai e de seus afluentes, como os rios Sepotuba, Cabaçal e Jauru. A ação de instalação de fossas faz parte do “Pacto em Defesa da Cabeceira do Pantanal” patrocinado pelo programa HSBC e executado pelo WWF em parceria com o Ipac, além de prefeituras.

A área abriga três ecossistemas – Cerrado, Pantanal e Amazônico – e tem grande impacto econômico na região por ser produtora de soja, algodão, milho, cana-de-açúcar, pecuária e piscicultura.

O analista do programa Água Doce, do WWF-Brasil, Ângelo Rodrigues Lima, afirma que o saneamento básico, principalmente, o rural é o desafio da região. Ele lembra que uma análise recente revelou que os dois grandes focos indicadores da qualidade da água são o esgoto sanitário e o assoreamento dos rios. “A instalação da Fossa Séptica Biodigestora vai ao encontro dessa necessidade”, diz.

Para o presidente do Ipac e coordenador do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sepotuba, Décio Eloi Siebert, a tecnologia vai contribuir para a melhoria da qualidade da água, beneficiando cerca de um milhão de pessoas que vivem na região.

Os municípios beneficiados são: Diamantino, Araputanga, Barra do Bugres, Cáceres, Curvelândia, Denise, Figueirópolis D´Oeste, Glória D´Oeste, Indiavaí, Jauru, Lambari d’Oeste, Mirassol d’Oeste, Nova Olímpia, Nortelândia, Porto Estrela, Rio Branco, Salto do Céu, Reserva do Cabaçal, Porto Esperidião, São José dos Quatro Marcos, Tangará da Serra, Nova Marilândia, Santo Afonso, Alto Paraguai e Arenápolis.

O pesquisador Wilson Tadeu Lopes da Silva, responsável pelas tecnologias de saneamento básico afirmou que, ao tratar a água das Cabeceiras, toda a região será beneficiada. “Esse trabalho começou em 2013, numa articulação do Instituto Trata Brasil. Além desse mini-curso, realizado nos dias 23 e 24 de abril, já estão programados mais quatros cursos em cidades do Mato Grosso, para o fim de maio e também a instalação de unidades demonstrativas”, acrescentou o pesquisador.