O sistema Integração Lavoura-Pecuária em produção de leite tem diferenças básicas em relação ao sistema tradicional, para gado de corte. A diferença principal é conceitual. No sistema ILP tradicional, as fazendas têm grandes pastos, com áreas degradadas, e um dos objetivos é utilizar a agricultura para fazer a recuperação destas áreas. Com o gado leiteiro, as fazendas são bem menores e não há problemas com degradação de pasto. A questão é outra. O maior benefício da ILP em sistema de produção de leite é otimizar a produção de volumoso para a seca, ou seja, produzir mais alimento para as vacas e diminuir os custos de alimentação.
|BARRA_AUDIO|
— Quando fazemos o planejamento forrageiro dentro da fazenda, nós temos a área de manejo rotacionado, áreas de criação de bezerras e novilhas e temos também a área de produção de volumoso para a seca. A integração tem entrado muito forte nesta área de produção de volumoso para a seca porque o produtor de leite, habitualmente, produz a silagem e só. Ele ocupa a área por três ou quatro meses e no resto do ano aquela área fica acumulando plantas daninhas, sem nenhuma utilização. Quando a gente pensa em otimizar, nós estamos entrando com a lavoura não necessariamente para produzir grãos, mas para produzir a própria silagem e o produtor vai produzir mais um alimento, que é a pastagem. O produtor também vai ter uma pastagem de boa qualidade que vai ser utilizada dentro de todo o planejamento — explica a pesquisadora Roberta Aparecida Carnevalli, da Embrapa Gado de Leite.
O sistema de integração lavoura-pecuária pode ser um importante aliado do produtor de leite, porque vai permitir que os custos da fazenda sejam bastante reduzidos. A pesquisadora explica que, como o produtor vai passar a ter duas opções (a silagem e a pastagem), ele vai poder dividir o seu rebanho de acordo com as necessidades nutricionais das vacas. A silagem de milho e sorgo, que ele produziu no período da seca, deve servir de alimentação somente para as vacas em lactação, que são mais exigentes. O resto do rebanho, que são as vagas secas e as novilhas, será direcionado para a pastagem. Isto diminui os custos, porque não é todo o rebanho que vai estar comendo a silagem, de maior qualidade, e ao mesmo tempo melhora a alimentação das vacas em lactação que não terão que competir com o resto do rebanho.
— O custo desta silagem, se for alimentar todos estes animais dentro da fazenda, é muito alto. A quantidade de silagem que ele teria que produzir é muito grande e isso encarece muito a produção. Quando o produtor trabalha com a integração, ele vai ter a silagem e a pastagem num período de escassez de forragem, que é em março e abril. Então ele vai direcionar a silagem de milho e de sorgo que ele produziu na integração no período da seca para alimentar somente as vacas em lactação, que são os animais mais exigentes dentro do rebanho. Os animais menos exigentes, que são as vacas secas e as novilhas, ele vai alimentar com esta pastagem que foi produzida em toda aquela área que ele utilizou para produzir a silagem. Quando você põe isto no custo total da fazenda, o aumento da lucratividade é grande porque você diminui demais o custo da alimentação — diz Roberta.
![]() |
"Sistema ILP pode |
