Software inédito padroniza classificação de couros

Ferramenta desenvolvida pela Embrapa substitui a ação humana na análise e classificação de peles bovinas na indústria de curtimento

Pedro Zuazo
Pós-produção

A comunidade científica conheceu na última quinta-feira, dia 30, um software que pode expandir os horizontes da indústria de curtimento. Trata-se do Coriu, uma ferramenta de análise digital para detecção de defeitos de couros bovinos. Atualmente, a classificação do couro bovino é feita de forma subjetiva e nem sempre uniforme, já que depende da percepção visual do funcionário do curtume. O objetivo do novo software é eliminar essa subjetividade e padronizar a classificação.

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A tecnologia, que é inédita no Brasil e pouco desenvolvida no exterior, foi apresentada em Brasília, no auditório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). De acordo com o ecologista Manuel Jacinto, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste que esteve à frente das pesquisas, o software vai suprir uma demanda que já existia na indústria.

— Ele vai substituir a subjetividade da analise do funcionário do curtume na classificação do couro bovino. Hoje, isso é feito por humanos, que visualizam as regiões do animal e registram quantidades e intensidades de defeitos. Em função das informações, atribui-se uma classe para a pele. Para que haja padrão, os curtumes que têm várias unidades mantêm ténicos que monitoram as classificações. Mesmo assim pode haver problema, porque os classificadores podem fazer análises distintas — explica.

Para substituir a ação humana, o software vai integrar um equipamento maior de classificação de pele que vai estratificar o couro em classes, substituindo o sistema de letras utilizado pelos funcionários do curtume. Os principais benefícios da ferramenta são a precisão, a uniformização e a confiabilidade da análise.

O software foi desenvolvido por três unidades da Embrapa, em parceria com a Universidade Católia Dom Bosco, que foi coexecutora do projeto. O trabalho foi validado em sete Estados brasileiros e encaminhado para o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), para que a tecnologia fique protegida. Após essa etapa, será desenvolvido um equipamento de classificação para disponibilizar a ferramenta para o meio industrial.