Um novo software, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa, calcula com exatidão quanto, como e sob que condições o produtor deve aplicar corretivos e fertilizantes no solo. O programa, que é dividido em dois módulos (Ferti UFV e Nutri UFV), determina o valor específico para cada cultura baseado, basicamente, em análises químicas do solo e a meta de produtividade do agricultor. Também são levadas em conta diversas variáveis como o tipo de manejo, solo, clima, culturas anteriores, nível de palhada e eficiência nutricional. O software foi lançado em 30 de março e a Universidade Federal de Viçosa já está preparando cursos presenciais e à distância para técnicos agrícolas, engenheiros e extensionistas.
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— Este software constitui uma alternativa mais flexível e poderosa que gera recomendações de correção e fertilização de solo mais exatas e criteriosas do que as tabelas que são utilizadas normalmente. Levamos em conta a eficiência nutricional daquele tipo de planta, ou seja, quanto do nutriente que ela absorve é convertido em produção. Também levamos em conta a camada de solo que é explorada pelas raízes absorventes da cultura, o tipo de substância química analisado na análise do solo, se o agricultor está plantando em uma área que já tem resíduos de culturas anteriores como palhada, se é um sistema de plantio tradicional ou Plantio Direto, se há o uso do chamado cultivo mínimo, em área florestal. Determinamos basicamente duas coisas: a demanda nutricional daquela cultura e o suprimento do nutriente que aquele solo é capaz de fazer — explica Julio Cesar Lima Neves, professor do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa e um dos criadores do novo sistema.
Um sistema bem mais simplificado, mas similar a este, já é usado há 25 anos por diversas empresas e grandes produtores. Mas, agora, o cálculo é muito mais exato e vai evitar falta de adubação ou desperdício de nutrientes. A estimativa é de que a produtividade de algumas culturas aumente em mais de 50%, como no caso do eucalipto. O sistema é preparado para calcular as necessidades de cada cultivo em cada solo e região diferente e poderá ser usado também pelos pequenos produtores. A UFV já está elaborando cursos para que técnicos, engenheiros, extensionistas, profissionais de cooperativas e profissionais da área sejam capacitados para entender e aplicar a complexidade do sistema. Apesar de um custo relativamente elevado, os ganhos de produtividade e, principalmente, a redução no uso de insumos agrícolas vão cobrir os custos do produtor.
— É um processo que envolve metodologias estatísticas muito complexas, então precisamos reforçar os profissionais do setor produtivo, eles precisam ser nossos parceiros. Vamos dar todo o treinamento na universidade porque podemos ter na, próxima década, uma agricultura diferenciada de tudo o que já vivemos — diz Roberto de Aquino Leite, professor da Universidade Federal de Viçosa, também da equipe de criação dos softwares, que ainda conta com o professor Nairam Félix de Barros.
Os softwares são compostos por dois módulos distintos que se complementam: o Ferti UFV e o Nutri UFV. O primeiro faz toda a base de cálculo, se baseia nas análises químicas e na meta de produtividade do produtor, leva em conta as variáveis explicadas pelo pesquisador Neves e indica a quantidade de fertilizantes e corretivos a serem aplicados. O sistema Nutri entra na segunda etapa para monitorar a nutrição da planta. Ele se baseia na análise química da folha da planta e não mais no solo, as indicações são refinadas e refeitas após cada nova safra. Além do aumento de produtividade e economia com os insumos, o pesquisador também chama a atenção para a vantagem ambiental.
— A ideia é responder com exatidão às três grandes questões de um solo: que nutrientes devem ser aplicados, em que dose e em que épocas. É uma fertilização racional com otimização de produtividade e econômica, porque ele não vai gastar além do necessário. Nós aumentamos a eficiência econômica da fertilização e contribuímos para evitar contaminação do solo e da água. Uma vantagem também é a questão da sustentabilidade da produção. Não nos interessa apenas dispor de técnicas que elevem a produtividade por um curto espaço de tempo. Nós temos que ter técnicas que permitam elevar a produtividade se ela estiver baixa, mas fazendo com que ela se mantenha elevada por longos espaços de tempo através do sistema de monitoramento — destaca.