A ferrugem asiática foi detectada pela primeira vez no Brasil em 1947, mas foi observada de forma mais severa na safra 2001/2002 e até hoje causa enormes prejuízos aos sojicultores. Atualmente, a tecnologia mais comum para se evitar perdas com a doença é a aplicação de fungicidas, que exige uma atividade de controle rápida e não admite erros. Mas uma nova alternativa de controle vai chegar aos produtores no fim deste ano: a soja Inox.
Lançamento da Fundação MT, em parceria com a TMG (Tropical Melhoramento e Genética), a soja Inox é uma variedade que já traz no código genético a possibilidade de resistência à ferrugem asiática. As cultivares TMG 801 e TMG 803 foram desenvolvidas pela metodologia convencional de melhoramento, a partir de informações obtidas em bancos de germoplasma de entidades nacionais e internacionais. Após identificar plantas que apresentaram a resistência de forma natural, foi possível isolar a característica e, por meio de seleções e testes, chegar até essas duas cultivares que foram adaptadas às condições de plantio do cerrado brasileiro.
Apesar de apresentar resistência genética à ferrugem, a soja Inox não dispensa o uso de fungicidas no cultivo da soja. A Fundação MT recomenda que o produtor economize pelo menos uma aplicação, mas não deixe de utilizar essa forma de controle porque existe a possibilidade de a doença quebrar a resistência da variedade.
— O produtor deve estar atento, porque quanto mais se expuser ou colocar em risco essa nova ferramenta, mais ele poderá acelerar o processo de quebra de resistência. O material resistente será fatalmente quebrado algum dia — explica o pesquisador Sergio Suzuki, da área de Melhoramento Genético da Fundação MT.
Historicamente, a quebra de resistência pela ferrugem asiática tem ocorrido num período que varia de quatro a 20 anos, por isso o uso de fungicidas em conjunto é uma prática recomendada aos produtores. Apesar de não eximir os produtores do custo da aplicação de fungicidas, a soja Inox apresenta algumas vantagens. De acordo com Suzuki, a primeira delas é uma maior segurança no controle. Em seguida, há uma flexibilidade maior para a aplicação, que pode ser feita em um tempo mais longo e com mais estabilidade. Além disso, o controle pode ser feito em um estágio mais avançado da cultura, pois os sintomas da doença aparecem de forma mais tardia.
As duas cultivares resistentes à ferrugem – TMG 801 e TMG 803 – são convencionais, sendo a primeira mais precoce e a segunda de ciclo médio. Nenhuma das duas apresenta resistência a nematóide de cisto nem nematóide de galha e ambas têm crescimento vigoroso e boa capacidade de ramificação. Nos testes realizados, as variedades apresentaram bom potencial produtivo quando comparadas às variedades convencionais.