Soterramento do coleto e mortalidade pós-plantio

As causas do soterramento estão ligadas ao recobrimento excessivo de parte do caule das mudas por terra, na ocasição do plantio

Margareth Santos
Manejo

O soterramento do caule e a mortalidade no pós-plantio são alguns dos problemas abióticos encontrados no uso de práticas silviculturais impróprias. Foi o que revelou o estudo da Embrapa Florestas, em Colombo, no Paraná. A pesquisa apontou as causas e apresentou soluções para resolver as questões fitossanitárias e silviculturais relacionadas à produção de mudas e à implantação florestal.

Para impedir o aparecimento de plantas jovens com sintoma de soterramento, é preciso, no ato do plantio, colocar a muda na posição correta na cova ou sulco. O colo tem de estar na linha da superfície do solo, que deve ser bem preparado a fim de se evitar a criação de “espaços vazios” no interior da cova. Convém não queimar as raízes com a incorporação incorreta do fertilizante mineral ou uso do adubo orgânico.

Para resolver o problema da mortalidade pós-plantio, as mudas devem ser rustificadas antes de deixarem o viveiro. O procedimento consiste em submeter as mudas ao aumento da insolação aos poucos, antes de serem plantadas. O sombreamento deve ser retirado gradativamente, já que essa é uma das causas de estresse às plantas. A rustificação prepara a muda para o plantio e o início da nova etapa, e inclui algumas práticas como redução de água e adubação.

As causas do soterramento estão ligadas ao recobrimento excessivo de parte do caule das mudas por terra, na ocasição do plantio, nos tratos culturais ou nas enxurradas. A porção do caule que passa a funcionar como “novo” coleto é forçada a se modificar em órgão subterrâneo, ocasionando alterações fisiológicas, e fica exposta a vários tipos de estresses na superfície do solo. Os sintomas aparecem em plantas jovens, meses depois do plantio, e podem matá-las.

Na mortalidade pós-plantio, verificou-se que as plantas apresentavam boa formação de raízes, no entanto, as mudas estavam estioladas ou estressadas, devido à falta de rustificação. Mudas nessas condições não possuem reserva nutricional suficiente para o crescimento nem são resistentes para superar o estresse causado pelo plantio (mais insolação, falta de água, retirada dos tubetes e transporte).