Suplementação em fase de recria aumenta produtividade

Devido à negligência dos pecuaristas com regime tradicional de pastagem, sistema intensivo acaba sendo solução para diminuir a idade de abate

Breno Fonseca
Nutrição Animal

Com o fenômeno La Niña influenciando diretamente as pastagens e o mercado de carne bovina brasileiro tentando manter os seus dois milhões de toneladas de carne exportadas, o produtor agora deve traçar estratégias de suplementação de seus animais nas fases de recria e confinamento. É o que aponta o pesquisador Marcos Sampaio Baruselli, da empresa Tortuga, que irá ministrar palestra no IV Congresso Latino Americano de Nutrição Animal. O objetivo é modificar a forma de recriação dos bezerros a pasto.

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— Um dos gargalos da nossa produção é uma cria mal feita e uma necessidade de recria longa. Esses são os problemas da pecuária de corte extensiva brasileira. O peso de desmama é baixo, por volta de 160 quilos. Devido à cria não ter os cuidados necessários, o período de recria acaba levando de dois a três anos, o que faz com que a idade de abate do animal seja tardia e com que os índices de produtividade zootécnica do rebanho de corte acabem sendo baixos. Leva-se de quatro a cinco anos para o ciclo de um animal se completar — explica o pesquisador.

Para resolver esse problema, o foco do estudo está na suplementação mineral. Por conta da deficiência dos pastos brasileiros em minerais como fósforo e cálcio, bovinos tem dificuldade em ganhar peso e, consequentemente, produzem menos. Marcos Baruselli comenta que, com a suplementação, os índices zootécnicos melhoram sensivelmente. Um animal que, ao ser desmamado, pesava de 150 a 160 quilos, pode chegar de 210 a 220 quilos. Além disso, com a adição de minerais na alimentação, o produtor evita que seu rebanho tenha problemas de saúde como anemia, raquitismo ou fraqueza óssea.

Marcos cita que, no Brasil, existem cerca de 60 milhões de bovinos e que 99% deles se alimenta de pastagens. Poucos pecuaristas se utilizam do confinamento para recria e muitos ainda são negligentes com os bezerros que estão em fase de aleitamento. Uma solução é o creep feeding, instalação rural em que, em uma área cercada, o bezerro recebe aditivos, minerais e farelo de origem vegetal, o que promove desenvolvimento do rúmen e a independência do leite da mãe.

— Hoje é possível abater um animal com dois anos de idade, o que proporciona maior giro de capital. Além disso, o custo para o produtor é reduzido, já que manter o boi no pasto por quatro ou cinco anos é inviável economicamente. Claro que a pecuária de ciclo curto tem os seus custos, pois o sistema intensivo envolve manejo de pasto, controle sanitário, genética melhorada e suplementação mineral — assinala Marcos Baruselli, exaltando que tais cuidados podem fazer com que um boi, aos dois anos de idade, chegue a pesar em torno de 500 quilos.